
Hoje não escrevo de casa. Da sacada deste apartamento, vejo, à extrema direita, os condomínios murados de um bairro de luxo. À frente, como um fogaréu, o vermelho-vivo do telhado das casas se espalha ao redor do Farol Novo, que eu não conhecia. Precisei jogar no Google. Descobri que foi inaugurado em 2017, quando eu ainda morava aqui. Não conheço o Farol Novo. Tampouco conheço o Velho. Muita coisa daqui eu nunca conheci.

Foto: Pedro Jucá
Hoje não escrevo de casa. Da sacada, à extrema esquerda, vejo uma nesga de mar entre dois prédios. Quase se confunde com o céu, é preciso apertar o olho para, sob o sol absoluto, se divisar um horizonte entre água e firmamento. Faz calor, mas, sob o abrigo desta que não é a minha casa, não reclamo. Uma brisa constante ajuda a abrir os pulmões e, ali do lado, colibris bebem da água açucarada que meu pai lhes preparou.
De repente, escuto tsss de carne contra metal quente. É meu pai cozinhando para mim. Ele fez questão de prenunciar, ainda na quarta, que hoje, sexta, almoçaríamos feijoada. Meu pai gosta de cozinhar, e cozinha porque lhe é difícil dizer eu te amo. Para mim também é difícil, papai, por isso hoje vou almoçar sua comida como se estivesse diante de um banquete.
Hoje não escrevo de casa. Cheguei ontem de madrugada, quando, com luz tímida, o Farol Novo ainda rodopiava em sua missão de trazer de volta a terra navegantes perdidos. Uma peregrinação. Nove horas de voos e aeroportos, muitas mais horas, anos talvez, para de fato regressar. No avião, para poder guardar minha mala, precisei perguntar três vezes de quem eram as mochilas no compartimento acima dos assentos. Ninguém respondeu. Quando o comissário interveio, a dona da bagagem reagiu com gritos e palavrões, provavelmente dirigidos a mim. Quis esbravejar de volta, mas me flagrei segurando choro. Minha cidade natal me embrutece, minha cidade natal me amenina. Aqui, meu sotaque se acentua, falo ligeiro, corto o final das palavras, fico ainda mais difícil de entender. Em meio à brasa urbana, minha paciência derrete, tenho o ímpeto de acotovelar pessoas nas ruas, me revolto contra toda a civilização intertropical. Aqui, me sinto vulnerável, tenho medo da violência da cidade, tenho medo de, perto da minha família, voltar a ser o menino que um dia eu fui.
Revi-os quase todos. Minha avó está muito melhor do que eu imaginava. Caminha bem, ouve bem, fala bem, e, por tudo isso, me demoro na ilusão de que viverá para sempre. Uma de minhas tias me mandou um áudio de dois minutos se desculpando por não poder ir ao lançamento do meu livro. De propósito, não lhe dei resposta. Também tenho minhas crueldades. Uma outra se escandalizou com um conto meu, talvez nunca volte a falar comigo. Dou de ombros – tudo nessa vida tem um preço. Na saída do evento, minha irmã se queixa de que eu nunca a procuro para conversar. Eu nego, desminto, mas sei que ela fala a verdade. Seu rosto é um desconcertante reflexo do meu, e isso também me machuca. Quase tudo em matéria de família me é insuportável.
Reencontro minha mãe e ela me diz que, dia desses, levou uma queda e luxou o braço. Estava sozinha na rua e riram dela quando caiu. Não conseguiu se levantar sozinha. Precisou da ajuda de um taxista para, também sozinha, seguir até o hospital. Fico comovidíssimo, mas não sei o quanto daquilo é verdade. Antes de se despedir de mim, ela me anuncia, numa reminiscência religiosa, que ninguém é profeta em sua terra. Quero sair dali, quero ir embora o quanto antes. Quase tudo em matéria de família me é insuportável, e eu não quero voltar a ser o menino que um dia eu fui.
Hoje não escrevo de casa, mas me reuni com bons amigos. A amiga de infância ainda se recorda da redação que, escrita há mais de 15 anos, daria origem a um dos contos do livro. Quase choro. Outra amiga esteve doente e precisou desmarcar todos os compromissos, mas fez questão de comparecer ao lançamento. No dia de minha chegada, minha melhor amiga sonhou que seu carro era roubado em frente ao prédio de um ex-namorado meu. Ela me perguntou, brincando, se não seria um sinal de que ele nos odiava. Eu respondi, sério, que sim – tudo nessa vida tem um preço. Durante um café com ela, toca Moonriver, que é um pouco nossa música, e nos damos as mãos. Quase choramos. De noite, ela me apresenta sua cachaça favorita, de nome alemão, que, por pura vaidade, leio em voz alta, com pronúncia apurada. Quero que ela me ache inteligente, quero que, por isso, ela me ame mais. Na hora dos parabéns, a aniversariante aparece com minha torta favorita. Pura coincidência. Tomo isso por um sinal do universo e noticio o fato aos demais convidados. Sou o único a ganhar mais um pedaço da torta de creme de ninho com geleia de morango. Amargo, doce e azedo, tudo numa mordida só.
Hoje não escrevo de casa, mas é sobre esta casa, que não é mais minha, que eu escolho escrever. Custarei a assumir, mas sentirei saudades, Fortaleza.

Data de Lançamento: 16 de outubro
The Mastermind centra sua história num audacioso assalto a uma obra de arte na Nova Inglaterra nos anos 1970, isto é, sob o pano de fundo da Guerra do Vietnã e do incipiente movimento feminista no país. JB Mooney (Josh O’Connor) era um carpinteiro desempregado que decide virar um ladrão amador de obras de arte. Enquanto o homem planeja seu primeiro grande crime e se prepara para realizá-lo, um mundo marcado por mudanças sociais e políticas se faz cada vez mais presente em sua jornada. As coisas, porém, saem do controle, virando sua vida de cabeça para baixo.
Quando: 16 de outubro de 2025.

Data de Lançamento: 16 de outubro
Em Conselhos de Um Serial Killer Aposentado, um escritor em bloqueio criativo chamado Keane vive um momento tenso em sua carreira e em seu casamento. Sem escrever um livro há quatro anos, de repente, ele se vê diante de um pedido de divórcio da esposa Suzie, cansada das desculpas e da falta de ambição do marido. Enquanto tenta vender um romance policial sobre serial killers, Keane é abordado por um homem misterioso chamado Kollmick, que se diz um assassino em série aposentado e oferece sua expertise para Keane. De repente, o jovem autor se envolve numa peculiar amizade com o estranho homem. Conselheiro literário à noite, de dia Kollmick, quase que por acidente, começa a atuar também como terapeuta matrimonial de Keane, ajudando o escritor a curar as feridas de seu relacionamento com Suzie. A desconfiada esposa, porém, passa a suspeitar que ela possa ser a próxima vítima do esquisito assassino.
Quando: 16 de outubro de 2025.

Data de Lançamento: 16 de outubro
O Bom Bandido (Roofman) se inspira na história real e inesperada de um assaltante chamado Jeffrey Manchester (Channing Tatum), que ficou conhecido como o “ladrão do telhado”, e seus esforços criativos de fugir da prisão. Jeffrey é um ex-oficial da Reserva do Exército dos EUA com dificuldades de se sustentar. Quando ele é pego roubando um McDonald’s para alimentar seus filhos, ele é pego, sentenciado e preso, mas rapidamente consegue escapar. Enquanto foge das autoridades, Manchester se abriga numa loja de brinquedos, onde se esconde atrás de uma parede. O tempo passa e a caça por ele se apazigua, o que deixa o caminho aberto para Jeffrey se aproximar da vendedora Leigh (Kirsten Dunst), por quem se apaixona e começa um romance. Uma série de dilemas se apresentam então para Jeffrey, enquanto Leigh permanece alheia à moradia improvisada do namorado na loja onde trabalha e ao histórico criminal do fugitivo.
Quando: 16 de outubro de 2025.

Data de Lançamento: 16 de outubro
Em O Último Rodeio, um montador de rodeio aposentado, conhecido como uma lenda da competição, arrisca tudo para salvar seu neto de um tumor agressivo no cérebro que exige uma cirurgia cara e invasiva que o seguro de saúde da família não cobre. De frente para seu doloroso passado e os medos da família, Joe Wainwright volta aos circuitos e entra numa competição de alto risco organizada pela liga profissional de montadores e aberta apenas para veteranos e antigos vencedores com um prêmio significativo em dinheiro. Como o competidor mais velho de todos os tempos, Joe volta a treinar e embarca numa jornada de reconciliação com feridas antigas e com a filha há muito afastada de sua vida. No caminho para essa desafiadora montaria, o ex-competidor descobre ainda o poder da fé e a verdadeira coragem que existe em lutar pela própria família.
Quando: 16 de outubro de 2025.

Data de Lançamento: 16 de outubro
O filme Eu e Meu Avô Nihonjin acompanha de perto a história de Noboru, um menino de 10 anos que resolve investigar a vida de seus antepassados. Por conta de sua descendência japonesa, ele busca saber sobre a origem migratória de sua família, e o único que pode ajudá-lo é seu avô, um senhor que evita falar do passado. No entanto, com a insistência do neto, a animação brasileira desenhada a mão com traços de desenhos típicos do Japão é tomada por uma série de conflitos, mostrando um homem que nunca quis deixar de ser japonês e uma criança que busca afirmar a sua identidade brasileira. No meio disso, Noboru descobre a existência de um tio que nunca havia conhecido.
Quando: 16 de outubro de 2025.

Data de Lançamento: 16 de outubro
Em O Telefone Preto 2, a jornada do menino que fugiu parece só ter começado. Quatro anos após matar e escapar de seu sombrio sequestrador, Finney tenta viver uma vida normal sendo o único sobrevivente do macabro cativeiro d’O Pegador. Enquanto o jovem encontra dificuldade de superar seu trauma, sua obstinada irmã mais nova Gwen começa a receber chamadas do telefone preto em seus sonhos, tendo ainda pesadelos recorrentes com três garotos sendo perseguidos num acampamento chamado Alpine Lake. Decidida a investigar a origem dessas visões, Gwen convence Finney a visitar o local durante uma tempestade de neve. O que os irmãos descobrem é que existe uma ligação perturbadora entre a história de sua família e o assassino que os atormenta. Atrás de vingança, O Pegador não só ameaça Gwen, mas se torna ainda mais poderoso depois de morto, obrigando Finney a enfrentar um mal inimaginável.
Quando: 16 de outubro de 2025.