O Festival de Curitiba está dando o que falar. Serão várias apresentações ocorrendo em vários pontos da cidade, e nós, do Curitiba Cult estamos acompanhando tudo de perto, trazendo entrevistas e conteúdo exclusivo. Desta vez, falemos da abertura. Falemos de poesia. Falemos de Maria Betânia no palco do Teatro Guaíra, trazendo, em uma única apresentação, a essência do festival: conversa de gêneros artísticos, literatura de qualidade e lágrimas aos olhos.

As luzes se apagaram para uma plateia lotada (e muito disputada). Ovacionada, vestida de branco, Betânia agradeceu a avalanche que se formou quando entrou. Com poucas palavras, iniciou uma noite que beirou o surreal. Sua voz potente, aliada ao ritmo de mensagens de Álvaro de Campos, Drummond, Castro Alves, Manuel Bandeira e o amor proibido por Diadorim, personagem central de Grande Sertão: Veredas, clássico nacional de Guimarães Rosas.

Nesse ínterim, com essas companhias, doeu o coração.

Um Diadorim só para mim. Tudo tem seus mistérios. Eu não sabia. Mas, com minha mente, eu abraçava com meu corpo aquele Diadorim que não era de verdade. Não era?

Também foi sentido o abandono.

Acordaste-me, mas o sentido de ser humano é dormir.

E veio mais canção.

Marinheiro só

Salvo pelo gongo.

Dia e noite, noite e dia

Ao som da romaria.

Ilumina a mina escura e funda o trem da minha vida…

Numa junção de tantos talentos, com um brilho na voz, no corpo e nos pés descalços, Betânia mostrou, no Teatro Guaíra o que faz a luz em uma lente de aumento poética, musical e referencial: queima a alma de quem assiste.

Quem não é Recôncavo e nem pode ser reconvexo

Foto: Fabio Seixo / Agência O Globo

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