No começo era eu e o Will. A gente tinha essa pegada meio indie, puxada para o Two Door Cinema Club. A proposta era fazer algo mais leve.”  Fundada em 2015, Suit & Bones, duo formado por Cesar e Will, passou por várias formações até chegar ao formato que tem hoje – dando forma ao ritmo e ao movimento e despertando prazer e entusiasmo em que os ouve. Recentemente, auxiliados por músicos que consideram de qualidade, lançaram duas novas faixas acompanhadas por clipes – e, agora, você conhece um pouco da trajetória deles em uma entrevista exclusiva com Cesar Taborda.

Como toda carreira artística, foram várias idas e vindas até que ambos se encontrassem musicalmente. “Tocamos em outra banda, de hardcore, mas não estávamos muito felizes. A gente demorou muito tempo para achar aquilo que queria fazer. Em 2018, gravamos a Monochrome e percebemos que estávamos indo para a direção da qual a gente gostava.

Segundo Cesar, os lançamentos são os materiais que representam o duo. Mesmo que conteúdos anteriores possam ser encontrados em algumas plataformas, o foco é, realmente, mostrar o que ambos são capazes de fazer agora. “Muita coisa ainda está por vir. Sem esse ponta pé, seria difícil começar a caminhada esperada”.

O lançamento conjunto das duas novas faixas (e clipes) não estava nas previsões iniciais da Suit & Bones, mas, como elas se comunicam muito bem uma com a outra, o duo decidiu que deveria disponibilizar algo a mais para aqueles que se interessassem e quisessem acompanhar as criações. Inspirados por outros artistas e enfrentando as dificuldades relacionadas ao lançamento de álbuns completos, optaram por segmentar a divulgação em diversos singles que pudessem fazer parte de um projeto mais robusto futuramente. “Pretendemos lançar um outro em breve.

Composição e novas perspectivas

Cada clipe foi pensado a partir de determinados padrões estéticos planejados, seguindo uma pegada Tarantino, incluindo suas legendas em japonês, produzidas por uma parceira da banda. Ambos foram filmados em Curitiba, cidade em que Cesar e Will vivem, onde esperam que suas músicas sejam ouvidas. Mesmo com as dificuldades de disseminação de suas produções, Cesar ressalta a necessidade de o artista conciliar aquilo de que gosta com os gostos do público, e esse objetivo pautou o conceito atual de pop alternativo em inglês: “Se a gente gosta, alguém vai gostar.

Com relação à opção pela língua estrangeira, ele conta que, independentemente de qualquer barreira, o duo é brasileiro e a produção é brasileira. Trata-se de uma forma de arte e, para apreciá-la, não há impeditivos. “Não tem a ver com desvalorização de cultura local. Tem a ver com aquilo que sai de dentro de você.” Como ambos são tupiniquins, bem, o resultado é, naturalmente, nacional.

A pandemia, claro, atrapalhou muitos planos da Suit & Bones. Tudo estava pronto, inclusive um cronograma de lançamento, mas o novo coronavírus impediu a realização de shows e lives já programados. Além disso, Cesar conta que não poder “sair e ver gente”, acumulando experiências novas, afeta suas composições de maneira negativa. “Isso foi muito f***. Acaba desanimando.

Claro que parar não é uma opção. Mesmo que nem tudo saia de acordo com o planejado, Cesar é enfático: “Reaprendendo a viver, né?

É.