“O emo nunca vai embora”. Fresno, fãs e o legado que resiste ao tempo

foto: André Figueirêdo
foto: André Figueirêdo

“Não tem como, o que eu vou fazer?”, brinca Lucas Silveira, vocalista da Fresno, ao ser questionado se o emo algum dia vai embora. O trocadilho remete ao último álbum, “Eu Nunca Fui Embora”, lançado no ano passado, que celebra o som maduro, porém clássico, que a banda cultivou ao longo dos 26 anos de carreira. Ao lado do guitarrista Gustavo Mantovani, o Vavo, a Fresno, formada também pelo baterista Thiago Guerra, conversou com exclusividade com o Curitiba Cult prestes a desembarcar na I Wanna Be Tour, que chega a Curitiba neste sábado, 23 de agosto, na Pedreira Paulo Leminski.

A banda participa pela segunda vez da turnê. Em 2024, eles abriram a programação – sob sol escaldante e com participação intensa dos fãs, que fizeram questão de chegar cedo para curtir a primeira banda do line-up. A apresentação foi tão intensa que emocionou e garantiu espaço para o trio no horário nobre da edição 2025. “Esse cenário fez parte da vida das pessoas e envelheceu muito bem a ponto de continuar, sabe? E eu sou partidário da ideia de que isso no Brasil foi mais avassalador do que em outros lugares do mundo”, conta Lucas ao falar sobre a importância das bandas nacionais na grade repleta de grandes nomes. Além da Fresno, a I Wanna Be, realizado pela 30e, recebe Forfun, Dead Fish, Gloria e Fake Number, além dos internacionais Fall Out Boy, Good Charlotte, Yellowcard, Story of the Year, The Maine, The Veronicas e Neck Deep. “Vai ser incrível. Eu quero que tenha todo ano, e que a gente esteja sempre lá”, profetiza Lucas.

Desde os primórdios da banda, que começou em 1999, foram dez álbuns de estúdio. A conexão com os fãs é forte e, ao mesmo tempo que grandes hits não deixam o setlist, eles sempre anseiam por músicas novas. Assim, a Fresno nunca parou de criar. Enquanto muitas vezes a parte operacional – planejar turnês, planilhas de orçamento, reuniões – pode derrubar a trajetória de bandas, eles não deixaram “a dificuldade ser maior”, como diz Lucas. Depois de sair do underground e ter bons anos no mainstream, a banda viu uma queda de popularidade após 2009. “Não se falava muito da Fresno. Virou aquela parada do: ‘e aí? Vocês ainda tocam e tal?’. É muito ruim pra quem ainda toca, porque se o cara tivesse aposentado e montado uma lanchonete, tudo certo. Sim cara, eu ainda toco, não pergunta um negócio desse pra mim”, brinca o vocalista. A receita para a longevidade? Segundo Lucas e Vavo, é amar o que fazem e seguir “mandando músicas para o mundo”. “Ter uma resposta dos fãs que sempre querem isso também nos motiva bastante”, completa Vavo.

Conhecida como um dos maiores nomes do movimento emo, a banda vê com carinho o “rótulo” – antes muitas vezes considerado pejorativo. “É tão difícil uma banda conseguir ter uma característica suficientemente marcante pra ela ser alguma coisa, né?”, diz Lucas. “Quando isso vai pro mainstream, a desinformação vai crescer em torno disso. Todas aquelas matérias comportamentais preconceituosas e desinformativas foram gerando uma noção na opinião pública que pouco se ligava à ideia musical do bagulho”, explica o vocalista ao falar sobre o fenômeno emo dos anos 2000. Agora, eles dão a volta por cima. “O My Chemical Romance é dez vezes maior do que ele era quando acabou. A gente, mesmo sem ter acabado, movimenta um público maior que a gente movimentava naquele momento que a gente estava no auge da mídia comercial”, explica Lucas, que ainda dá a deixa: “até pessoas que não ouviram na época se arrependem”, brinca.

Hoje pais de família – Lucas tem uma filha de nove anos, enquanto Vavo tem dois filhos de quatro e seis, e Guerra teve um bebê há poucos meses – eles se veem em um novo cenário, sendo influenciados por uma nova geração. E buscam, ao máximo, entender os novos movimentos musicais e não recriminar algo popular entre os jovens, como o próprio emo foi em seu início. “Em algum momento falaram isso de Beatles, né? Tudo provocou um choque. Eu procuro entender da onde vem aquela coisa”, diz Lucas, ao afirmar que possui apenas um limite: a música feita por Inteligência Artificial. Segundo ele, a música tirada do zero “sempre vai ter um lugar especial”. “É mais profundo o jeito que se comunica com as pessoas”, garante. Enquanto isso, Vavo já está com ingresso garantido para ver Bad Bunny, por influência dos filhos. “Eles trazem muitas coisas novas”, conta.

Para os próximos anos, a banda promete novidades. Um álbum ao vivo de um show gravado no Rio de Janeiro deve ser lançado logo depois da participação na I Wanna Be Tour – e tem mais por aí. “A gente já tá olhando pra 2026. Eu nunca paro de fazer música, em breve a galera vai acabar vendo notícia sobre coisas novas”, garante Lucas. A certeza é única: o emo nunca vai embora.

A I Wanna Be Tour Curitiba conta com o Curitiba Cult como media partner que se une a marcas como Rádio Mix, UOL, Tenho Mais Discos que Amigos! e MTV.

SERVIÇO – I Wanna Be Tour Curitiba

Quando: 23 de agosto de 2025 (sábado)

Onde: Pedreira Paulo Leminski (Rua João Gava, 970)

Horário: abertura dos portões às 10h

Quanto: entre R$ 277,50 (meia-entrada) a R$ 1.395 (inteira)

Ingressos: Eventim

Classificação Etária: Entrada e permanência de crianças/adolescentes de 5 a 15 anos de idade, acompanhados dos pais ou responsáveis, e de 16 a 17 anos, desacompanhados dos pais ou responsáveis legais.

Produção e realização: 30e

Por Angela Antunes
21/08/2025 23h10

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