Na última sexta-feira (18), representantes da ABRAPE (Associação Brasileira dos Promotores de Eventos), da ABEOC-PR (Associação Brasileira de Empresas de Eventos), entre outros nomes foram recebidos na secretaria do governo na Prefeitura de Curitiba para discutir a retomada do setor de eventos na cidade.

Na reunião realizada foram discutidas ações de garantia para que existam medidas que garantam a retomada ampla do ramo de eventos na cidade de Curitiba, como por exemplo o auxílio emergencial e Lei Aldir Blanc. Outro assunto que entrou em pauta foi sobre a importância da discussão deste tipo de medidas, que necessitam ter uma divulgação grande, já que existe uma grande variedade e quantidade de profissionais inseridos nesse segmento.

Um protocolo com sugestões para a realização de testes de eventos de forma responsável e segura também foi abordado. Logo, dois eventos testes na capital paranaense, devem ser realizados a partir da segunda quinzena do mês de outubro, que serão validados pelos gestores das secretarias que tratam diretamente do tema.

A ideia é que um deles seja uma feira de negócios, e o outro será um show musical, pioneiro no Brasil. “A partir da próxima semana, afinaremos isso, prevalecendo a excelência do modelo, que prima a saúde e integridade dos participantes e profissionais envolvidos na realização, com o objetivo de vislumbrar como seria uma possível retomada do setor diante de protocolos, normas, muito controle e seriedade“, finaliza Mac Lovio Solek, vice- presidente da Abrape na região Sul.

Os números do impacto da pandemia no mercado nacional de shows

Com a recomendação de distanciamento social para combater a disseminação do novo coronavírus, o setor de eventos tem enfrentado estagnação, que pode trazer o pior ano em duas décadas. Empresários e representantes do setor ainda não conseguem estimar o prejuízo causado pela crise, mas o primeiro semestre foi morto. Levantamento indica que, desde o início da pandemia todos os eventos no país foram cancelados neste ano, com prejuízo. Ninguém duvida que a epidemia de coronavírus já causou prejuízos gigantescos nos shows e eventos do Brasil. Agora, seis meses depois do início das medidas de distanciamento social no país, surgem os dados concretos deste impacto. E eles são impressionantes.

Um censo realizado pela Abrape (Associação Brasileira de Promotores de Eventos), mostra que mais de 90% dos eventos previstos para ocorrer este ano foram cancelados, adiados ou estão em situação incerta. Outro dado assustador, também divulgado pela entidade, que reúne entre seus associados cerca de 60% do PIB de eventos do país, é o de que até o fim de abril, segundo o estudo, os cancelamentos e adiamentos de eventos fizeram com que mais de 240 mil pessoas perdessem os empregos. A tendência é que esse número possa chegar, em outubro, a 840 mil.

Outro dado relevante que a pesquisa apontou é que 92% das empresas associadas já relataram prejuízos que, juntos, somam R$ 290 milhões. A entidade estima ainda que esse número possa chegar à casa dos bilhões se somada toda a cadeia produtiva do setor de eventos, que envolve em torno de 60 mil empresas. O prejuízo frustrou as boas expectativas desse mercado para 2020, que estimava um aumento de receitas em shows e eventos de 6,15% em relação ao ano passado. Até outubro mais de 450 mil eventos deixarão de acontecer.

EXPECTATIVA 2020 (aumento da receita em shows)
+ 6,15% em relação a 2019

REALIDADE
+ de 90% dos eventos previstos foram cancelados, adiados ou situação incerta
+ de 450 mil eventos deixarão de acontecer até outubro

Estimativa Desemprego no setor
ABRIL 240 mil pessoas
AGOSTO 563 mil pessoas
OUTUBRO 841 mil pessoas