Você sabe como funciona a curadoria do Festival de Curitiba? Conheça o trabalho dos curadores de 2026

Tim Maia: Vale Tudo - O Musical no Festival de Curitiba. Foto: Lina Sumizono.
Foto: Lina Sumizono

Todo ano, o Festival de Curitiba conta com uma curadoria especializada responsável por selecionar os espetáculos do evento. Em 2026, a Mostra Lúcia Camargo fica sob responsabilidade de três nomes: a pesquisadora e produtora Daniele Sampaio, a atriz, diretora e tradutora Giovana Soar e Patrick Pessoa, crítico de teatro, dramaturgo e professor de Filosofia da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Celebração à brasilidade

Mas a principal questão é: no mar onde milhares de peças surgem anualmente, como definir o que entra e o que fica de fora da programação do maior festival de artes cênicas do Brasil?

O trabalho começa ainda no ano anterior, com a avaliação dos resultados da última edição. Para os curadores, é essencial compreender os acertos, as surpresas e também os deslizes cometidos.

A partir desse balanço, inicia-se a busca por espetáculos que dialoguem com a diversidade cultural do país. Nesta edição, um dos caminhos que surgem dentro da curadoria é justamente a ideia de celebrar a brasilidade e as diferentes formas de festa presentes na cultura nacional.

Ao todo, a Mostra Lúcia Camargo reúne 28 espetáculos em 2026, sendo que parte deles se dedica diretamente a essa ideia de celebração, explorando o júbilo, a música e a festa como elementos cênicos.

Há um movimento para garantir a presença de produções de diferentes regiões brasileiras dentro da programação.

Neste ano, integram a seleção espetáculos das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Ao contrário do ano passado, quando a curadoria conseguiu contemplar todas as regiões do Brasil, desta vez o Norte acabou ficando de fora. “Tem um pouco de frustração, porque a gente tentou e correu atrás, mas não foi possível repetir o que fizemos”, admite Giovana.

E como em uma grande dança ensaiada, a programação final também precisa dialogar com a cidade. O público curitibano, conhecido por ser um consumidor atento das artes cênicas, é um dos fatores considerados no momento de definir os espetáculos que chegam ao Festival.

Escolhas e decisões

Segundo o próprio Festival de Curitiba, os três curadores têm base em cidades estratégicas para acompanhar a produção teatral do país. Daniele atua em São Paulo, Patrick está no Rio de Janeiro e Giovana vive em Curitiba, berço do evento.

A proposta é assistir ao maior número possível de espetáculos ao longo do ano e, a partir disso, avaliar quais montagens fazem sentido integrar a grade do Festival. Além das apresentações acompanhadas nas capitais onde vivem, os curadores também realizam viagens frequentes para conferir produções em outras regiões do país.

A escolha final ocorre em reuniões constantes, que podem acontecer de forma presencial ou online. “A partir daí a gente vai criando princípios, linhas de força que vão conduzir a programação. É claro que influenciados pela conjuntura do Brasil e do mundo”, explica Patrick.

Mesmo com todo o processo de avaliação, não existe uma fórmula fixa para escolher os espetáculos. Muitas vezes, o que pesa é o impacto que uma montagem causa em um dos curadores durante a apresentação.

A curadoria também enfrenta desafios

Nem sempre, no entanto, o processo ocorre sem obstáculos. Em 2026, por exemplo, o Teatro da Reitoria, palco tradicional do Festival de Curitiba, não pôde receber apresentações do evento. A indisponibilidade do espaço fez com que algumas montagens precisassem ser remanejadas para outros locais da cidade.

Ainda assim, a intenção da curadoria é sempre pensar o Festival para além do circuito artístico. A ideia é que a programação dialogue com a cidade e ajude a formar público para o teatro, aproximando diferentes espectadores das artes cênicas.

Por Yasmin Luz
06/04/2026 17h00

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