Vitor Kley lança álbum inédito e promete turnê em Curitiba; confira entrevista exclusiva

Vitor Kley. Foto: Rodolfo Magalhães.
Foto: Rodolfo Magalhães

Após 5 anos de seu último trabalho, Vitor Kley lança seu mais novo álbum autoral “As Pequenas Grandes Coisas”. Com 11 faixas inéditas, o cantor explora a beleza da simplicidade, e celebra sua evolução pessoal e criativa. É a primeira vez que Kley assina a produção musical, desenvolvida em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Portugal

Com um olhar filosófico sobre a vida, “As Pequenas Grandes Coisas”, sexto álbum do artista, chega às plataformas digitais hoje (25). Confira a entrevista exclusiva com Vitor Kley ao Curitiba Cult:

No começo do álbum, nós encontramos algumas músicas com uma melodia otimista, mas, ao mesmo tempo, uma letra um pouco mais melancólica. Como foi o processo de composição dessas músicas e como você faz para mesclar esses dois sentimentos em uma canção?

“As Pequenas Grandes Coisas” são relatos da vida mesmo, né? E para que a gente fique atento que a vida é assim. A vida é um pouco de altos e baixos, tem esses nossos grandes desafios. Mas que a gente tem que encarar e seguir e seguir adiante. Então eu acho muito engraçado também porque realmente é fim de um ciclo, e início de algo novo. E eu acho que fica esse sentimento na gente, tipo, “caramba, tô embarcando numa nova viagem”. Fica esse misto de alegria,  empolgação, mas essa leve tensão no ar de “beleza, é um novo momento, né?” A ideia era mesmo abrir meu coração.

E esse processo de fazer uma melodia animada com uma letra um pouco mais triste. Isso faz parte do seu processo? É proposital?

Cara, tu sabe que eu acho muito louco que já me falaram isso, inclusive do “O Sol” também. Então eu tenho a impressão que em “As Pequenas Grandes Coisas” a gente até resgata mais disso, porque tu pega uns acordes com sétima maior, alguns acordes até menores, e eu gosto muito dessas melodias que circulam por essas por essas notas. E eu acho que isso fica muito evidente em “As Pequenas Grandes Coisas”, até talvez porque traz um pouco da bossa nova nesse álbum. A construção dos acordes me chamou muito a fazer dessa forma. Então é engraçado isso, porque eu tenho a impressão que isso está preso em mim, está instalado no meu DNA desde lá de antes. Mas eu sinto que se amplifica em “As Pequenas Grandes Coisas”. Algo que eu acho muito legal, porque de fato o álbum é essa reconexão comigo mesmo, com a minha essência.

Você falou de reconexão, e seguindo para “Vai Ficar Bem”, a próxima faixa do álbum, ela pode ter várias interpretações. Ela é ampla, como eu gostei de definir.  Qual foi a sua motivação para compor “Vai ficar Bem”?

É a primeira vez que eu falo isso. Ela [a música] surgiu quando um dia eu estava na casa da Priscilla Alcântara, ela estava com os amigos dela e eles estavam falando sobre a crença deles. E aí eu tava ali no meio, meio perdido, sabe? Eu estava tentando entender tudo aquilo, e aí uma hora se referiram a mim, eu falei: “Cara, não é uma coisa que eu pratique diariamente. Tenho minhas formas de crença, minha forma de conversar com Deus, mas obviamente é diferente da de vocês”. E aí a Pri falou “O Vitor é uma página em branco aqui para nós. Porque a gente tá falando e ele tá absorvendo e escrevendo tudo isso pela primeira vez”. E aí a música começa “Somos páginas em branco, nossa caneta é o coração”, e essa foi a chama da música. Ela [a música] tinha essa missão de falar sobre a vida, e fazer esse chamado para as pessoas terem atenção que o tempo tá passando, que às vezes a nossa mente não tá batendo tão bem com esse monte de informação que a gente tá recebendo, com essa velocidade de pressa e tal.

O álbum também apresenta várias fases de um relacionamento, como a conquista, o desejo e as brigas. Teve alguma música que foi mais difícil ou mais libertadora de escrever?

Eu acho que a música mais difícil desse álbum é a “Vai por Mim”. Ela é a mais poderosa desde o princípio, mas hoje, com a partida do meu pai, ela se tornou a mais poderosa da minha carreira. E a música mais difícil de produção foi a “Que Seja de Alegria”, porque ela é uma música muito potente também, ela tem uma pressão, um punch, né? É uma música muito de show, muito de canto, porque ela é uma música que ela tem muitas camadas.

Você comentou sobre “Vai por Mim”, e eu acho que a gente não pode deixar de falar sobre. É uma canção que tem a participação do Cláudio de Barros, e se tornou uma das mais especiais da sua carreira. E eu imagino que tenha sido muito marcante ouvir essa canção ao lado do seu pai. Você ouviu ao lado dele? Você lembra como foi esse momento?

A minha ideia com “Vai Por Mim” era ter ela 100% pronta, e um dia ter a oportunidade de botar para o pai num estúdio e fazer um momento mais dele com ele mesmo. Eu não queria estar junto, nem minha mãe, nem meu irmão, mas sim ele ouvir a música e tirar as próprias conclusões. Mas aconteceu que eu não tive a oportunidade de fazer isso, porque a doença foi se agravando, a depressão. É muito doido falar isso, mas a chance que eu tive de mostrar para ele foi no velório dele. O velório foi o último momento que eu, meu irmão e a minha mãe falamos: “Putz, cara, é a última chance que nós temos de mostrar essa música pro pai”. Então a gente botou para tocar ali, e eu tenho a impressão que ele recebeu super bem assim, sabe? Eu tenho a impressão que ele falou: “É isso aí, filhão. A vida é para frente e vai fazer bem para um monte de gente. Minha energia tá nessa música agora, obrigado.” Ficou feliz com a homenagem. Tenho certeza disso.

E como o lançamento do álbum está impactando na sua vida pessoal, nesse momento? 

Eu vejo que eu sou uma pessoa que tem muito mais certeza das escolhas que eu faço. Quando eu me disponho a fazer algo, eu faço por inteiro, faço aqui e agora, né? É o instante. E isso é uma coisa que eu vejo que tem um impacto muito grande. Vinculado a esse sentimento, eu me sinto um cara com muito mais coragem para enfrentar as coisas da vida. Então eu vejo que esse encerramento de ciclos que a gente comentou, há de ter muita coragem para fazer isso. E as pequenas grandes coisas vêm transformando muito isso na minha vida pessoal. Vejo que eu tô aprendendo a lidar com esse final de ciclos e dando valor ao que vem pela frente. Tem uma música até do 5 A Seco, do Tó Brandileone, que fala assim: “Quando me entristeço por que a vida passa, eu lembro do que vai nascer”. E eu vejo que esse sentimento, ele tá muito nítido em mim com o lançamento do álbum.

E pegando o gancho de “Vai Nascer” e desse novo ciclo que está vindo, com certeza tem muitas novidades programadas daqui para frente. Como é que está a agenda do Vitor Kley? 

Eu amo show, e estou muito empolgado, muito ansioso para fazer o show de “As pequenas Grandes Coisas”, a turnê, né, das pequenas grandes coisas. Eu vejo que essa turnê tem tudo para ser incrível, e a gente já tem datas marcadas. A gente vai passar pelas capitais, inclusive por Curitiba, e a gente está muito feliz também porque vamos voltar para terra que a gente ama tanto, que nos recebeu tão bem, que é Portugal. 

Tem como adiantar uma previsão de data para nós?

Dia 26 [de abril] a gente saiu em turnê com o álbum no mundo, que a gente passa por Niterói. Em maio a gente faz a nossa divulgação do álbum em Portugal e já fica para tocar no dia 10 por lá também. E aí depois a gente volta, tem os tem shows no Brasil, e mais para frente, ali em julho, agosto, a gente vai para os shows de verão da Europa. E nesse segundo semestre começa também a turnê em outros lugares aqui, como Porto Alegre e Curitiba também. Eu amo Curitiba. Nosso baixista é de Curitiba, nosso hold técnico também é de Curitiba, então amo tocar aí. Um lugar que eu acho lindo é a Ópera de Arame, e a gente tocou no [Teatro] Positivo, que é super legal também.

O anúncio do álbum foi muito bem recebido pelos fãs. Antes do lançamento do álbum, já tinham saído músicas e videoclipes. E o pessoal ficou muito animado, inclusive, se vai cortar cabelo, não vai cortar cabelo. O que os fãs podem esperar desse novo ciclo?

Eu abri meu coração, falei: “cara, é isso, as pequenas grandes coisas precisam estar vivas no coração das pessoas, né?” E eu tenho certeza que quem tá pronto para receber, vai receber dessa forma. O lance das especulações do cabelo é algo que faz parte da conexão com a capa do álbum e a criança que simboliza a minha essência. Então, eu quis fazer uma conexão com essas histórias e ao mesmo tempo dizer assim: “a gente pode entrar numa nova era sendo quem a gente é, sendo do jeito que a gente é e aceitando o jeito que a gente é”. Eu acho que depois de várias coisas que eu vivi, pessoalmente falando e profissionalmente falando, “As Pequenas Grandes Coisas” vem para ser realmente esse céu azul, essa alegria, e ao mesmo tempo abrir o livro da minha vida para as pessoas.

Por Yasmin Luz
29/04/2025 14h00

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