Vanessa da Mata entrou como quem analisa o público. Sentiu o ambiente. Cantou no cenário delicado, cantou brilhante como o lustre sobre sua cabeça. E o Teatro Positivo, quase lotado, esperava algo. Ilegais começou e a inquietação se espalhou. Afinal, a conotação sexual da letra acende qualquer ânimo. E assim ela hipnotizou o público.

Completamente à vontade, seu jeito de rodar o vestido arrancava sorrisos bobos dos rostos de quem presenciava um verdadeiro espetáculo. Em Amados, as pessoas se encolheram um pouco na cadeira, afinal, como não se lembrar do amor platônico que todo mundo já teve na vida? A voz de Vanessa simplesmente brincou com os humores. A voz de Vanessa arrancou gargalhadas e lágrimas. Vanessa rebolou como Shakira. Vanessa arrepiou a nuca com suas notas altíssimas.

Quanto mais ela cantava, mais todo mundo queria ouvir. Perto do fim, tímida, convidou o povo a se aproximar do palco, não havendo qualquer um recusando. De repente, “nós, gatos, já nascemos pobres, porém, já nascemos livres”.

— Ela tem uma voz que abraça, né?

— Sim. Parece algodão.

Vanessa da Mata, afinal, não canta. Vanessa da Mata, com sua voz, conforta, alegra, brilha. Vanessa da Mata foi um sol particular no palco de um show memorável.