Quem conhece o trabalho do cantor canadense Mac DeMarco já sabe que o estilo dele varia entre o doido e o sensível. Algumas de suas músicas são irônicas, outras transmitem seriedade ao tocar em assuntos mais pessoais e, além disso, os videoclipes do cantor são surreais. Mas nada desse conhecimento poderia ter preparado o público curitibano para o show da turnê Another One, que aconteceu nessa quinta-feira (26) no Curitiba Master Hall. O show fez parte da primeira edição do festival Coisarada.

Duas bandas brasileiras se apresentaram antes do show principal: The Shorts e O Terno. A noite começou com The Shorts, uma banda curitibana que começou recentemente, mas se mostrou uma grande revelação. O setlist incluiu músicas do EP Serendipity e alguns covers como “Husbands” (Savages), uma música que combinou muito com a voz da vocalista Natasha Durski. Em seguida, a banda paulista O Terno se apresentou com músicas do álbum “66” e “O Terno”, que fizeram o público pular e cantar junto. Realmente não é à toa que a banda conquistou um grande espaço na cena do rock brasileiro.

E então era a vez de Mac DeMarco entrar em cena. Todos esperavam ansiosos pelo “Marcos”, como algumas pessoas estavam gritando se referindo ao cantor. “Cadê o Marcos! Cadê o Marcos!”. Mac apareceu de repente, com uma calça azul escura meio rasgada, uma camisa branca estampada colocada por baixo da calça e um vans azul bastante desgastado. Basicamente o visual que todos esperavam.

O show começou contido com “The Way You’d Love Her” e outras músicas do álbum “Another One”, que foi lançado esse ano. Mac DeMarco fazia graça, caretas e dançava descontraidamente, construindo uma atmosfera peculiar e envolvente. Mas o cantor não criou aquele clima louco sozinho. O guitarrista (Andrew White) e o baixista (Pierce McGarry) interagiam com o público e conversavam coisas sem sentido entre si. Jon Lent, o tecladista, chamou atenção por parecer que estava tendo uma experiência fora do próprio corpo enquanto tocava quietinho no canto. A impressão no geral é que todos estavam dentro de um daqueles videoclipes do Mac DeMarco.

Não demorou muito até o cantor abrir uma garrafa de whisky Jameson e começar a beber durante as músicas. A partir daí o show foi um crescendo. As apresentações ficaram cada vez mais intensas, assim como as loucuras. Se você virasse para um amigo para comentar “você acredita que ele fez isso? ”, você poderia perder mais uma atitude inusitada de Mac DeMarco. Apesar da agitação, Mac não deixou de ser delicado em alguns momentos, como nas músicas “Let Her Go” e “A Heart Like Hers”, nas quais ele expôs seus sentimentos para o público com muita sinceridade.

No auge do show o cantor estava só de cueca e totalmente à vontade no palco cantando uma versão épica de “Together”. Durante a música ele foi carregado pelas pessoas quando se jogou no público com uma cambalhota, mas isso não era o bastante. Mac conseguiu escalar até o segundo andar do Music Hall, de onde ele se jogou de novo.

Antes da última música Mac anunciou que o show estava acabando. O público, que estava fora de controle até o momento, ficou arrasado. “Cante mais! Fique mais!”, algumas pessoas pediram. O cantor sabia que não poderia ficar mais tempo e disse “Eu posso estar morto amanhã, mas nós estamos aqui agora, não é?”.

Essa frase diz muito sobre a personalidade de Mac Demarco. Esse artista deixou uma mensagem importante antes de ir embora. Tudo eventualmente chega ao fim, mas não adianta ficar triste por causa disso. O importante é aproveitar cada momento por inteiro. O importante é viver.

Fotos: Amanda Queiroz e Vic Leardini/Curitiba Cult

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