“Tudo o que eu faço na vida é terapia”, conta Walter Casagrande no Festival de Curitiba

Coletiva de imprensa do Festival de Curitiba. Foto: Annelize Tozetto
Foto: Annelize Tozetto

O futebol entra em cena no Festival de Curitiba com a estreia do comentarista e ex-jogador Walter Casagrande Júnior. Ele se apresenta no Teatro Guaíra nos dias 03 e 04 de abril, às 20h30. Casagrande conversou com a imprensa na manhã de sexta-feira (03), confessando que o monólogo revela suas derrotas e vitórias. A coletiva também contou com artistas do Guritiba, do solo “Colibri”, da Mostra Lúdica, da Curitiba Cia de Dança e Companhia de Teatro Heliópolis.

Guritiba

Valorizando o público infantil, a Mostra Guritiba começa neste sábado (04), com o retorno da mostra ao Auditório Poty Lazzarotto no MON. Fabíula Passini, diretora do Festival de Curitiba é responsável pela programação do Guritiba, comentou sobre a importância dos espetáculos para crianças, que vivem uma experiência divertida longe dos celulares: “existe um outro universo além das telas, e o teatro pode ajudar muito nisso“.

O ator Alexandre Scaldini da peça “Azul”, que discute autismo, reforçou que os espetáculos da Mostra são para toda a família: “ainda há um estigma em torno da peça que é infantil“. Ele destaca a potência sensível desses espetáculos, que se tornam especiais para o público, independente de idade.

“Colibri”

A performer Maria Emília Gomes falou sobre “Colibri”, um trabalho que discute a leveza e o peso de vivências negras em Minas Gerais. A artista usa o movimento do beija-flor como ponto de partida para demonstrar a evolução das danças negras e ainda destacar os efeitos do desastre de Mariana. Segundo ela, a montagem surge do “desejo simples de voar, de lembrar e não esquecer“.

Mostra Lúdica

Artistas de Maringá trazem a Curitiba a Mostra Lúdica, com peças para o público infantojuvenil. Os artistas comentaram sobre a importância de dialogar com a capital e trocar novas referências. Também citaram a interação com as crianças em montagens como “Ritornelo”, com instrumentos musicais. Isso funciona também como formação de público e uma iniciação dos pequenos ao mundo das artes. “Notamos como as crianças podem se sentir pertencentes ao tocar nos instrumentos“, comentou Fernando Ponce.

Dança

A Curitiba Cia de Dança participa do Festival com “Memória de Brinquedo”, seapresentando nas Ruínas de São Francisco com entrada gratuita. O trabalho faz uma ponte entre infâncias do passado e dos dias atuais. “Para os mais velhos, traz nostalgia, e para os mais novos, a curiosidade de como era“, comentou o bailarino Rubens Vital. Brinquedos e brincadeiras antigas também dialogam com a atualidade.

Cárcere

A Companhia de Teatro Heliópolis falou sobre as pesquisas para elaborar “A Boca Que Tudo Come Tem Fome (Do Cárcere às Ruas)”. É o terceiro trabalho do grupo sobre encarceramento e leva a assinatura de Dione Carlos na dramaturgia. Em cena, são performados os dramas de diversos ex-presidiários, como citou o diretor Miguel Rocha: “Há a dificuldade de ter acesso – a emprego, a atualização de documentos – e dificuldades emocionais”. O espetáculo discute como a saída do encarceramento gera outros estigmas.

Casagrande

A coletiva encerrou com Walter Casagrande Júnior e, praticamente, uma sessão de terapia. “Na Marca do Pênalti” leva situações da vida do comentarista esportivo para o palco, de forma dramática, mas muito realista. “Eu não sou ator”, repetiu diversas vezes. Casão não se exime de falar não apenas de quando era jogador, como também do vício e de como a arte ajudou a superar esse problema. Em uma proposta da terapeuta, passou a frequentar cinemas e peças de teatro, despertando um interesse cultural muito grande.

Quando olhei nos olhos do Casagrande, vi alguém que podia estar nos palcos”, comentou o diretor Fernando Philbert. Foi ele que convenceu Casagrande a topar essa empreitada. E com a personalidade marcante e corajosa do ex-jogador, a peça promete ser real e muito íntima. “Quando ele está no palco, a história está com ele”, completou Fernando.

Sem rodeios, Casagrande criticou jogadores atuais que se preocupam mais com o status de celebridade do que com o jogo: “ser celebridade dá mais cliques e likes do que fazer gol”. Relembrou ainda da Democracia Corinthiana e do quanto sofreu perseguição por falar em democracia nos idos da ditadura. Ao abrir o coração na sala de imprensa, comentou: “qualquer emocional que você não põe pra fora, destrói você por dentro. Tudo o que eu faço na vida é terapia.

Por Brunow Camman
03/04/2026 23h02

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