Teatro de bonecos em Curitiba discute adoção a partir de história real com pinguins

Teatro de Bonecos. Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Dois pinguins apaixonados no zoológico de Nova York inspiram uma nova peça de teatro de bonecos em Curitiba, com um paralelo cheio de emoção entre a ficção e a vida real. A Alameda Cia Teatral está finalizando a elaboração do espetáculo “Com Tango, Somos Três”, que estreia no segundo semestre. O processo de criação mistura fatos com um lado mais imaginativo e lúdico, tratando de adoção com sensibilidade e diversão.

A história real dos pinguins tem um paralelo familiar com o próprio grupo. O diretor Cristóvão de Oliveira e o produtor Galvani Junior são pais do Jonathan. Em um canal no YouTube (Tecer Fio a Fio), chegaram a contar sobre o processo de adoção, acontecido em torno de nove anos atrás. Agora, misturando toques de fábula, a família se inspira nos pinguins para retratar como famílias não convencionais também constroem o amor.

“A história dos pinguins, que é uma história verídica, foi o ponto de partida, e a partir disso saiu a ideia de escrever um projeto para uma montagem cênica”, explica Galvani. A elaboração de “Com Tango, Somos Três” foi possibilitada a partir do Profice(Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura do Paraná), com suporte financeiro da Copel.

Família

O caso dos pinguins-de-barbicha do Zoológico de Nova York chamou atenção da imprensa no fim dos anos 1990. Os dois machos Roy e Silo faziam rituais de acasalamento e montaram um ninho, mas não tinham filhotes. Um funcionário do zoológico recolheu um ovo que tinha sido rejeitado e deu ao casal, que chocou e criou o filhotinho abandonado, chamado Tango. O casal com dois indivíduos do mesmo sexo em outra espécie trouxe para as pessoas discussões sobre homoparentalidade e adoção, em uma época em que leis para pessoas LGBTQIA+ ainda estavam sendo analisadas nos Estados Unidos e no mundo. Em 2005, a história virou o livro “Três com Tango”, de Peter Parnell e Justin Richardson.

Início

Em janeiro deste ano, a Alameda Cia. Teatral entrou na sala de ensaio. Mesmo que inspirado na vida do diretor e do produtor, o processo de criação do espetáculo todos participam da construção da narrativa. “Conversamos muito sobre a história, lemos o livro, lemos matérias que saíram em jornais, conversamos sobre nossa história com elenco e equipe técnica”, explica Galvani. E isso foi só o começo.

O teatro de bonecos demanda uma pesquisa intensa em relação a movimentação de corpo, a criação de personalidades dos personagens a partir dos gestos. Especialmente porque a Alameda optou por um espetáculo não-verbal, ou seja, sem usar a palavra falada. Passaram a assistir documentários de pinguins para entender os movimentos e formas de andar, por exemplo.

Nesse processo, vão surgindo também novos personagens. “Os pinguins são muitos porque andam em bando”, explicou o produtor. “Temos cinco principais – (que representam) eu, o Jonathan e o Cris, e outro casal além de uma cobra e uma cegonha. Tínhamos uma ideia que foi mudando no decorrer do processo. A cobra, a cegonha, foram acontecendo no decorrer”, pontuou.

Coletivo

Aí entram também as intenções do elenco que manipula os bonecos. No palco, estão Larissa Prestes, Leda Jankoski e Paulo Carneiro. Eles desenvolvem os movimentos e formas de comunicação desses personagens. Mas não são os únicos colaboradores. Há toda uma equipe unida para contar essa fábula inspirada em vidas reais. “Com Tango, Somos Três” tem trilha sonora original composta por Ariel Rodrigues, figurinos e cenário de Paulo Vinícius, bonecos elaborados por Fábio Medeiros com o diretor Cristóvão, iluminação de Nadia Luciani e projeções de Paulo Rosa.

Oficinas

Para contar ao público sobre o processo de criação, a Alameda Cia. Teatral fará duas oficinas abertas ao público como contrapartida social. As sessões são gratuitas, pedindo apenas a doação de um quilo de alimento não perecível ou material de higiene para doar a uma casa de acolhimento de crianças. O grupo ainda fará apresentações especiais em lares de crianças abrigadas, escolas públicas e lares de terceira idade.

Nos dias 22 e 29 de julho e 05 de agosto, no teatro, acontecem palestras sobre adoção com a presença de juízes, famílias por adoção e trabalhadores da vara da infância e da juventude. Assim, o teatro sensibiliza a plateia com um tema atual e também abre as portas para conversas sobre adoção e homoparentalidade. A luta por direitos e a representação de famílias não-convencionais ganha força entre a ficção e a realidade, com o apoio coletivo.

O espetáculo “Com Tango, Somos Três” estreia em Curitiba no dia 18 de julho, no Teatro Enio Carvalho. Os ingressos são gratuitos mediante a doação de alimentos não perecíveis e itens de higiene pessoal. As doações vão, em seguida, para uma instituição que abriga crianças.

Por Brunow Camman
26/06/2026 12h21

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