“Superman” de James Gunn é humano, divertido e fiel aos quadrinhos; leia crítica

Superman - 2025. Foto: Divulgação DC Studios/Warner Bros.
Foto: Divulgação DC Studios/Warner Bros.

Aguardado com ansiedade por fãs de quadrinhos, chega nesta semana aos cinemas “Superman”, a mais nova empreitada de adaptações da DC para as telonas. A grande novidade é James Gunn por trás da direção, saindo direto da Marvel para a concorrente, trazendo uma visão fresca – e oposta – ao que foi se desenhando nos filmes de Zack Snyder. E isso foi um ganho tremendo ao que deve ser o primeiro de uma sequência de longas-metragens desse universo. “Superman” estreia no Brasil na quinta-feira (10/07), mas o Curitiba Cult já assistiu ao longa. Confira a crítica.

Sinopse

Superman” começa no meio da ação – ou melhor, da derrota. Nossa primeira visão do personagem – agora encarnado por David Corenswet – é caindo no gelo, sangrando. Superman é resgatado pelo cachorro Krypto, que o leva para a Fortaleza da Solidão. James Gunn inverte a lógica de nos introduzir à história do começo, com uma visão otimista. Um Superman acabado e que não controla nem o Supercão evoca uma imagem nova, até certo ponto. Recuperado pela força do Sol amarelo, enfrenta o vilão Martelo da Borávia – controlado internamente por Ultraman e dominado por Lex Luthor.

Luthor é muito bem interpretado por Nicholas Hoult, mas apresentado de forma apressada. Um dos maiores vilões da DC merecia mais destaque. Porém, considerando versões mais recentes e desastrosas de adaptação, esse Lex é um dos pontos fortes da nova franquia. A terceira personagem marcante é Lois Lane (Rachel Brosnahan), carismática e curiosa. O filme também já nos introduz a personagem como se soubéssemos quem é. Ela já sabe da identidade secreta do jornalista Clark Kent e até questiona suas atitudes.

Humano ou super-humano?

Kal-El, o Superman, é carismático, divertido, inteligente e apressado, por vezes se adiantando na ação antes de pensar nas consequências. Esse lado mais humano dá uma dinâmica que a versão mais recente nos cinemas não conseguiu trazer. Afinal, mesmo nascido em Krypton, Superman foi educado como Clark nos Estados Unidos. A versão de James Gunn traz uma visão multifacetada do personagem, que nos aproxima de seus dilemas.

Essas características o colocam em uma situação complicada ao se envolver em um conflito internacional. Mesmo que o país fictício da Borávia esteja invadindo outro território, há visões de líderes internacionais sobre o tema que tornam complexa a presença de Superman ali. A trama parece evocar questões contemporâneas de conflitos entre Israel e Palestina, ainda que Gunn não tenha se posicionado diretamente. Contudo, o filme traça paralelos bem direcionados que refletem a Faixa de Gaza. Incluindo o envolvimento de um bilionário da tecnologia que é Luthor, interessado nos lucros do conflito.

Já Lana e Lex acabam não tendo o mesmo desenvolvimento em tela, ainda que sejam bons personagens. Por optar em começar a história direto da ação, a direção também acaba cortando possíveis pontos de conexão nas narrativas das personagens e que ajudam a criar maior contato com o público. O talento dos atores, no fim das contas, garante essa ligação.

Personagens

O filme ainda tem muitos outros vilões, como A Engenheira (María Gabriela de Faría). Nos quadrinhos, ela faz parte da equipe Authority – o que pode indicar quais caminhos o novo universo DC vai seguir. Assim como a presença da Gangue da Justiça com Lanterna Verde, Mulher-Gavião e Senhor Incrível. Outras presenças surgem, não só como aparições para fãs, mas de fato integradas na história. Isso ajuda a tornar a narrativa mais interessante e dinâmica, sem ser isolada do possível futuro dessa saga, como um “fan-service” gratuito.

Há todo um teor mais divertido no filme, mesmo em cenas dramáticas que não são tão carregadas em sombras. “Superman” é para divertir, antes de tudo. Gunn parece saber aproveitar melhor o lema do herói como símbolo de esperança do que Snyder. Cenas abertas, coloridas, personagens divertidos com boas falas e sequências bem construídas conduzem as mais de 2h de tela de forma dinâmica. O otimismo vai crescendo ao longo do filme, assim como o Sol amarelo, cada vez mais em destaque e mais próximo do herói.

Imigração

Mas isso não quer dizer que seja um filme superficial. O tema da imigração é tocado de forma leve, aproveitando a trama do Superman ser um alienígena para discutir o que pode ser visto como ameaça externa ou como força. No contexto dos Estados Unidos atualmente, com uma perseguição a imigrantes (até mesmo pessoas legalizadas sendo presas e deportadas), o assunto fica mais tocante e sensível. A palavra “alien” (que pode ser entendida no inglês tanto como “extraterrestre” quanto “estrangeiro”) é citada diversas vezes.

James Gunn celebra a origem “alienígena” de Clark Kent assim como sua criação no Kansas. Os pais terrestres de Superman o ajudam a guiar em uma busca por sua identidade, independente do que o levou à Terra, mas sim por seus valores. Esse é o grande trunfo do filme e, mesmo que espalhado entre explosões de prédios e sequências de ação cômica, consegue trazer uma mensagem direta e simples sobre justiça. O longa-metragem é uma boa estreia para o novo universo cinematográfico DC e com uma nova visão de Superman, sem alterar o que foi construído nos quadrinhos, respeitando sua essência e aproveitando o que já sabemos dele para conduzir uma boa história.

Por Brunow Camman
08/07/2025 16h26

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