O quadro Saindo do Armário foi criado com a pretensão de reunir histórias próximas da nossa cultura e debater maneiras, alternativas e respostas para o momento de aceitação, tanto pessoal quanto da família. A primeira participante foi Luiza Cabral, que contou como as outras pessoas perceberam que ela era lésbica antes dela, e como encontrou o seu atual amor através de fakes.

Este mês, o Not Today, Satan traz um texto de autoria de Oilson Oliveira, que aborda não só o que queremos com a nossa liberdade, mas o que fazemos com ela também. Oilson já foi voluntário da Aliança LGBT, ONG curitibana que atua na defesa dos direitos humanos. Confira:

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“Liberdade!, Liberdade!

Abre as asas sobre nós
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz (…)”

Gosto muito deste samba-enredo. Imortalizado pela sua letra, melodia…

Mas é uma música que me colocou para pensar: em 2015, que liberdade eu quero? Que liberdade a população quer?

Começo a pesquisar casos, dados, estatísticas diversas. Aumento da população carcerária, superlotação dos presídios… questões importantes a serem discutidas, mas sentia que essa ainda não era a resposta para as minhas perguntas.

Depois de muito pesquisar e procurar, eu resolvi fazer uma pausa. Para relaxar, para professar a minha fé no terreiro, para jantar com o meu namorado, visitar algumas amigas que resolveram também tirar um momento de folga de seus trabalhos como garotas de programa, beber uma cervejinha com os amigos da comunidade, aprender outros idiomas com os estrangeiros que moram na minha rua e também ensinar o meu idioma para eles, afinal, como brasileiro devo mostrar a minha hospitalidade…

Ao sair de casa me deparo com uma realidade um tanto quanto incoerente em relação aos avanços sociais. Meus irmãos de fé, escondendo a sua religião dos outros e de si; agressões verbais (quando não agressões físicas e até casos de morte) de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais; mulheres sendo agredidas constantemente de todas as formas imagináveis; negros sendo discriminados, estrangeiros cada vez mais fechados. Ao sair de casa, encontrei a resposta para a minha pergunta.

Que liberdade a população quer? Que liberdade EU quero? A Liberdade de poder dizer que eu sou umbandista, sou do candomblé, sou judeu, sou cigano, sou cristão, sou muçulmano, sou budista, sou xintoísta, sou índio; quero a liberdade de ser hétero, lésbica, gay, bissexual e de ser mulher trans. De ser um homem trans. e se nada disso me deixar feliz, quero ter a liberdade de ser travesti! Quero a liberdade de poder sair de casa sem precisar alisar o meu cabelo. Quero ter a liberdade de poder ser mulher, quero ter a liberdade de exercer meus direitos, seja meu nome João ou Maria. Afinal, a minha voz é da igualdade.

E, Liberdade

Liberdade,

Abre as asas sobre nós!