Rock n’ Cult: Carnaval passa. Rock fica.

Crossroads promove o legado do rock n'roll desde 1997. Foto: MKT Cross.
Foto: MKT Cross

Curitiba nunca foi exatamente a cidade do confete fácil. Aqui, o carnaval sempre precisou de um empurrão criativo, de um desvio de rota, de uma trilha sonora alternativa pra fazer sentido. E talvez seja por isso que, ano após ano, o Carnarock encontre seu lugar.

Enquanto o resto do país se joga no calor, no axé e na multidão, o rock ocupa seu espaço do jeito que sabe. O Carnaval no Cross não é sobre negar a festa, é sobre retraduzir. Transformar a folia em encontro. A avenida vira palco. O bloquinho vira banda. A fantasia vira atitude.

No domingo, o Thunderstruck espalha a casa em múltiplas camadas sonoras: do peso do AC/DC ao groove californiano, passando pelo psicodelismo e pela irreverência do rock nacional. No meio disso tudo, feira, tatuagem, vinil, e aquela sensação rara de que o tempo desacelera quando a música ocupa o espaço certo.

Na segunda, o gesto talvez seja ainda mais simbólico: o Carnakids. Crianças dividindo o mesmo chão que bandas de rock, aprendendo cedo que cultura não precisa de manual nem de idade mínima. 

O Carnarock não compete com o carnaval tradicional. Ele convive. Existe como alternativa, como refúgio, como escolha. E escolher também é um ato cultural. Porque no fim das contas, o rock sempre foi isso: um jeito de estar no mundo quando o mundo parece querer ir pra outro lado.

O carnaval passa. O rock fica. E em Curitiba, ele sempre encontra casa.

Por Rock n’ Cult
13/02/2026 16h12