Por Ana Krüger

Na Fazenda Evaristo, onde o Psicodália vem acontecendo nos últimos anos, conseguir um mísero sinal de celular (ou, para os mais otimistas, 3G) é um tormento. Mas num raio de aproximadamente cinco quilômetros quem quer que tenha um rádio consegue sintonizar na 98,7 FM e ouvir a programação da Rádio Kombi – a emissora oficial do festival.

>> Leia também: O que é que o Psicodália tem?

Quando a rádio surgiu, na edição de 2008 do Psicodália, o projeto ainda funcionava, de fato, numa Kombi toda transada e psicodélica. O estúdio ambulante rodava tocando música lá em São Martinho (SC), município que sediava o evento naqueles tempos. Os anos se passaram, a ideia foi crescendo e hoje a rádio pirata possui até espaço fixo (a Kombi só ficou no nome).

Na 18ª edição do Psicodália ela ganhou uma sede privilegiada, bem no centro da fazenda. Com um deck na frente, umas luzinhas meio hype e gente querendo farra 24h, o local virou ponto de encontro, festas e rodas de música. Quem comandou o espaço foram o músico Heitor Humberto, conhecido como vocalista da banda curitibana Gentileza, e os comunicadores Luana Angreves e Paulo folly, que passaram o ano anterior inteiro organizando a coisa toda.

A loucura é que lá na fazenda não tem internet (sem YouTube, portanto). Então, com dois HDs externos entupidos de músicas, eles precisavam fazer a alegria da galera e ainda administrar a caixinha do “peça sua música” sem grandes apertos.

24 horas no ar e com transmissões ao vivo das 9h às 5h da madruga, durante 6 dias, a programação fixa tinha o “Good Morning, Vietnam” (com músicas lançadas no período da Guerra do Vietnã), o “Interferência”, no qual os produtores colocavam pra tocar todo tipo de música que não se ouve normalmente no festival (destaque para o Bonde do Rolê!) e o “Caipirinha”, só com música brasileira.

Ao longo da fazenda era possível ver os rádios tocando o som da Rádio Kombi. Nas praças de alimentação, nas áreas de camping e até nos banheiros. Essa logística toda só foi possível graças à arrecadação de aparelhos organizada pela produção do evento. Quem quisesse doar um rádio (daqueles velhos que a gente usava para ouvir jogos de futebol) recebia em troca dois chopps.

Mas a emissora hoje não é só música. Os mais bizarros recados são dados ao vivo: gente que perdeu o único moletom de estimação e não sabe como se proteger da friaca noturna, donos procurando cães fujões, mensagens de apaixonados e, claro, as clássicas carteiras perdidas. Num local onde a comunicação à distância fica limitada ao sinal de fumaça, o veículo ganha uma importante função social para os mais desesperados. E não é essa a essência do rádio?

Veja flashs da Rádio Kombi:

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