Existe um tipo de resistência ao qual realmente não se quer chegar. Ao longo de séculos, construiu-se uma lógica social de predomínio e retorno. O segundo, por vezes, calado. E, com o passar do tempo, aquilo que se desenhou como ideal foi associar a oposição a uma espécie de arruaça, vandalismo, depredação.

O coronelismo vive e nem sempre grita tão alto. Na verdade, ele tende a ser bem tímido, comer pelas beiradas, ganhar território. O que pode vir a partir de um falso benefício, de um brinde, um consolo a quem nada tem. Em troca, presentes muito mais significativos. Não é tão difícil se deixar enganar.

Quando percebe-se que algo não está certo e você deixa de colaborar, te taxam de bárbaro, de selvagem, querem te eliminar. Os supremacistas dão um jeito de manter o comando.

Se quer sangue, porém, haverá sangue. “Bacurau” não tem um rosto, um representante, um porta-voz. Bacurau é Bacurau. E, nesse pequeno povoado, reside uma relevante amostra da força de um conjunto, do valor de uma identidade. Se, um dia, todos resolverem lutar, o “bem” provavelmente será maioria.

Se for pra derrubar a Bastilha, ela cairá. Não houve outro jeito. Ao longo de toda a existência, surgiram as castas, os poderosos, as esferas, e quem está no topo só sairá à força. Se nasceu gente, não aceite ser tratado de outra forma. Seja preto, branco, da metrópole ou do cu do mundo. Custe o que custar, nunca deixe que te tirem do mapa.