
Organizado pela Companhia Transitória e tendo a música popular de raiz e as diversas vertentes artísticas da cultura afro-brasileira como pilares da identidade artística do país, músicos, atores e produtores culturais se reúnem no dia 26 de março, na Sociedade Operária Beneficente 13 de Maio, para promover o “Festival Batuques do Samba”. Além do evento integrar as festas oficias do Festival de Teatro de Curitiba a proposta também faz parte do “Projeto Macumba” contemplado pela Bolsa Funarte de Fomento aos Artistas e Produtores Negros de 2014, na categoria de Artes Integradas, um dos princípios da própria Companhia Transitória criada por artistas em 2007.
“Optamos pela união das artes para celebrar a cultura popular de raiz, no caso a cultura afro-brasileira, que por ser tão diversa não pode ser traduzida apenas por uma vertente artística. O samba, o axé, a Umbanda, o Candomblé, são só exemplos da importância da cultura afro na construção da identidade brasileira. Levar ao público as manifestações dessa cultura em diferentes vertentes artísticas é, para nós, mais do que um interesse, uma necessidade”, explica o ator e produtor, Thiago Inácio, um dos artistas contemplados pela bolsa da Funarte. Ao lado das artistas, Flávia Sabino, Gide Ferreira e Tatiana Dia o ator apresentará uma performance durante o Festival.

A ancestralidade da cultura afro-brasileira proposta pelo “Festival Batuques do Samba” exalta a música e enaltece a tradição do samba. Além da devoção e da contemporaneidade, o projeto traz em sua segunda edição as rodas bambas da década de 1980 e o atual cenário em Curitiba.
Desta herança percussiva das batucadas, dos sambas memoráveis ao novo repertório da música brasileira, a cantora e compositora, Janine Mathias, apresenta durante a noite o projeto “Samba da Nega”, em cartaz desde 2015, em Curitiba. Em mais de 20 edições, a cantora exalta o samba ao que ela denomina a ‘verdadeira voz musical da cultura brasileira’. “O samba já foi proibido. E foi através das mulheres e do candomblé que ele se fundamentou. O samba tem uma importância política pouco lembrada atualmente. Quando eu saio do meu lugar para cantar, dessa voz chamada Samba, eu saio com a cabeça firmada na força dessa voz ancestral. Poder estar na 13 de maio em um festival específico voltado para o samba me deixa feliz, me deixa esperançosa. Pois existe uma necessidade de voltarmos aos nossos quintais, aos nossos batuques de axé”, enaltece a cantora.
https://www.youtube.com/watch?v=sSLAeJZMJrk
Embora o grupo “Sambão da Mocidade” já tenha passado por diversas formações durante as décadas, como naturalmente se preza em grupos antológicos do samba de raiz; hoje, os integrantes seguem carreira solo e tocam em outros conjuntos. Porém o grupo se reúne esporadicamente para curtir um bom samba e também é uma das atrações da noite. Das referências por onde a cultura sonora afro-brasileira se constrói, a DJ Babi Oeiras apresenta um setlist especial para o Festival. A DJ responsável por comandar as pick-ups da tradicional festa “Baile Bom” compõem a programação musical da noite.
“Me tornei DJ, quase que por acaso, e quando entendi que poderia usar meu trabalho para me comunicar, além de fazer dançar, adotei isso como lema. Sou uma mulher negra vivendo na cidade de Curitiba que, sabemos, é extremamente racista e machista, por muitas vezes não foi fácil encarar o público, especialmente no começo. Resolvi então usar esta posição a meu favor e a favor das causas que regem minha vida. Fico muito feliz de tocar em espaços que possibilitam a união de pessoas do movimento negro e de fora dele, para celebrar nossa cultura, reafirmar nossa história e nossa força. Lembrar ao mundo todo que existimos e resistimos“, vivencia a DJ.

Dentre as atrações, a dançarina Barbara Rodrigues apresenta a coreografia “Agbá Temi” [minha ancestralidade] que traz o encontro entre a modernidade da técnica e a ancestralidade da cosmologia do povo Iorubá, fazendo da dança um espaço de reverência e resistência. O público ainda poderá conferir o trabalho do artista visual Max Carlesso através da exposição “Filhos” baseada na poética dos Orixás. Em julho a Transitória estreia novo trabalho teatral com a direção da premiada diretora baiana, Fernanda Júlia, fundadora do Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas (NATA).

SERVIÇO
Festival Batuques do Samba
Realização: Companhia Transitória
Atrações: Samba da Nega – Janine Mathias, Sambão da Mocidade + discotecagem com Babi Oeiras (Baile Bom) + Coreografia “Agbá Temi” (Minha Ancestralidade) com a dançarina Barbara Rodrigues e perfomances dos artistas Flávia Sabino, Gide Ferreira, Tatiana Dias e Thiago Inácio.
Data: 26 de março (sábado)
Horário: 22h
Local: Sociedade Operária Beneficente 13 de Maio – Curitiba (Rua Desembargador Clotário Portugal, 274 – São Francisco).
Ingresso: R$20,00
Idade recomendada: 18 anos
Para mais informações acesse: festivalbatuques.org/
ou pelo email: contato@festivalbatuques.org e nos telefones: (41) 9929-9131 / (41) 9825-9022 / (41) 9935-2865
facebook.com/festivalbatuques/
(Imagens: reprodução)

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