Nunca gostei de fazer trabalhos em grupo. Acho que sempre fui o mais ansioso, e por isso mesmo eu acabava tudo antes mesmo do prazo determinado. E aí, perto da hora de entregar, quando o agito para começar o trabalho se formava, eu anunciava que o mesmo já estava pronto.

Não era egoísmo, eu juro. Era receio. 

Quando eu passei pela minha primeira decepção amorosa, foi a hora de entender que eu – mesmo que um grande defensor do amor em sua forma mais pura – gosto mesmo é de ser independente.

Isso não significa que eu seja imune a qualquer dor, a qualquer ruptura. Ao contrário: eu crio rios de sentimentos que naufragam dentro de si a cada nova decepção. E taí mais um motivo pra acreditar que, sim, aprender a não depender de ninguém foi uma das mais importantes lições que decidi compreender.

Não é sobre desconfiar de todo mundo. É sobre fazer acontecer por conta própria. 

Os sonhos são meus, o dinheiro na conta vem por causa do meu trabalho, e o amor que eu decido compartilhar é o melhor que posso oferecer – e, antes de qualquer um, eu tento suprir a mim mesmo. Aprendi depois de muita pancada que amor próprio salva e liberta; que, sem ele, eu vou sempre depender de alguma valorização que parta de alguém que não seja eu mesmo. E a gente precisa se autovalidar: somos importantes, somos agentes transformadores. Fazemos falta, pode acreditar.

Espero sim ser reconhecido, querido, amado. Mas hoje eu tenho consciência de que, até lá, talvez muitas pessoas fiquem pelo caminho. Mas continuamos, indo sempre em frente, eu e a minha felicidade. Essa que depende só de mim, e que ninguém jamais vai conseguir me roubar.