Por que o pinhão é um dos símbolos da cozinha paranaense? Saiba onde aproveitar

Pinhão na chapa. Foto: Gilson Abreu/AEN.
Foto: Gilson Abreu/AEN

Das árvores até as calçadas, o pinhão está presente na cultura e na cozinha do Paraná. Semente da Araucária, caiu no gosto popular e entrou para a tradição estadual, da baixa até a alta gastronomia. Mas como esse sabor se originou e ganhou tanto status?

Essa história começa há muito, muito tempo – literalmente! A araucária é uma árvore ancestral. Há registros dessa planta, da família Araucariaceae, há cerca de 200 milhões de anos. Isso corresponde ao período Jurássico do planeta. Quem sabe no próximo “Jurassic Park” não aparece a nossa árvore símbolo do estado?

O Paraná é o estado que mais tem representantes dessa planta, mas ela também aparece no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e, com menos incidência, até em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Há indícios de que povos nativos há quatro mil anos ajudaram a propagar a araucária, com plantio direcionado. Os Proto-Jê, conhecidos como ancestrais de povos Kaingang e Xokleng, semearam florestas em espaços onde essa árvore ainda não crescia naturalmente.

Gralha-Azul

Mas quem ficou com a fama foi a gralha-azul. Esse pássaro, também típico do estado, tem o costume de enterrar o pinhão – além de se alimentar com ele. Assim, surgiram lendas relacionando a ave e a semente. A gralha-azul acabou sendo símbolo de proteção ambiental no estado. Apesar de ela mesma estar em risco de extinção, pela destruição da Mata de Araucária, seu habitat natural. Por isso, vemos tantas campanhas de proteção da mata nativa paranaense.

Araucárias. Foto: AEN/Divulgação.

Araucárias. Foto: AEN/Divulgação.

Pinhão

A araucária é uma árvore que não gera frutas, é uma gimnosperma. O que ela produz é a pinha e os pinhões. O pinhão é considerado uma semente. Mas nem todas as araucárias dão pinhão: apenas três tipos geram essa semente, e só uma delas (a Araucaria angustifolia) é encontrada no Brasil.

A colheita da semente costuma acontecer de março a julho, mas para garantir que a semente esteja comestível, acaba acontecendo só a partir de abril. Rico em fibras, ajuda na saciedade, no controle do apetite, é boa fonte de calorias e energia e pode ajudar até na prevenção de doenças cardiovasculares. Além de ser uma delícia!

Pinhão. Foto: AEN/Divulgação.

Pinhão. Foto: AEN/Divulgação.

Cozinha

A tradição de comer pinhão se originou com os indígenas da região – os Proto-Jê que ajudaram a disseminar a árvore estado adentro. O encontro dessa cultura com tradições de imigrantes europeus colocou a semente no prato até com cortes de carne.

Com a chegada do outono, o pinhão começa a estrelar os pratos no Paraná. As festas juninas ganham um sabor especial com ele cozido, servido com sal. Outras criações também costumam se destacar. A farofa de pinhão, por exemplo, vira destaque em restaurantes. Criações mais elaboradas como risoto e sopa, também. Um prato típico é um entrevero, que combina pinhão com carnes. A versatilidade da semente acaba ajudando a surgir diferentes pratos – e encontrá-los do bar ao menu de um grande restaurante.

Onde comer pinhão

Quem gosta de comer pinhão, pode ficar preparado para a temporada! O Governo do Paraná indica a Rota do Pinhão, um espaço que inclui Curitiba e boa parte da Região Metropolitana. Cidades como Campo Largo, Lapa, Balsa Nova, Piraquara e tantas outras costumam ter boas pedidas para aproveitar essa comida típica. Em várias dessas cidades há passeios onde se pode observar grandes áreas verdes com araucárias como o Parque Estadual do Morumbi.

Em Curitiba, a aguardada Feira de Inverno é um dos pontos turísticos com sabor de pinhão. Ela acontece entre junho e julho. A boa pedida é combinar o pinhão com o quentão, nossa bebida de vinho quente e especiarias. E quem não bebe bebidas alcoólicas, sem problemas: tem quentão sem álcool, sim!

Quem ama sopas pode aproveitar a receita da Pamphylia Ristorante, que dá seu toque italiano ao prato. Lá, ganha o nome de Sopa das Araucárias, combinando a semente com milho, batata, ervilha, músculo e bacon. Já a sopa da Dona Ambrosina no Jardim Social combina o pinhão com frango, bacon, músculo e creme batido de milho, batata e ervilha. Clássico endereço no São Francisco, o Jokers tem porção de pinhão frito com tira de bacon enroladinho. E até a cozinha oriental recebe o sabor paranaense: no Kandoo, tem Joy de Pinhão, um bolinho de arroz com salmão e farofa de pinhão. Já no bar Quermesse (com dois endereços em Curitiba, no Ecoville e no Bom Retiro), realiza entre maio e junho o festival de inverno, e inclui no cardápio uma porção de pinhão com bacon. 

O Mercado Municipal de Curitiba também tem seu Festival Gastronômico do Pinhão, até 22 de junho. São diversas receitas, doces e salgadas, que celebram a semente representante do estado. Além desses espaços, a cidade conta com muitos outros endereços que servem versões bem originais do pinhão, de bares a restaurantes. O que não falta é opção para celebrar o amado pinhão do Paraná!

Por Brunow Camman
27/05/2025 17h35

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