Pertencer a uma história: entrevistas de quarta-feira (02) no Festival de Curitiba

Espetáculo In On It no Festival de Curitiba. Foto: Joana D'Aguiar.
Foto: Joana D'Aguiar

O pertencimento como um sentimento unificador resgata tradições ancestrais. As entrevistas da manhã de quarta-feira (02/04) no Festival de Curitiba trouxeram discussões relacionadas a esse pertencimento em diferentes vivências. Inclusive, aquilo que permanece dentro de uma boa história depois de 15 anos.

Cemitério de Automóveis

Mais de quatro décadas consagraram o teatro da cena alternativa paulistana de Mário Bortolotto. O londrinense foi morar em São Paulo (SP) em 1996 e fundou o Cemitério de Automóveis, grupo que virou referência e garantiu um prêmio Shell ao artista. Mas ele se mantém fiel ao teatro alternativo, prezando pela liberdade artística. “Pra fazer parte do establishment, tem que fazer muitas concessões“, afirmou. A mostra do Cemitério de Automóveis tem 4 peças e um show no Miniauditório do Guaíra.

Curitiba Cia de Dança

Resgatando tradições afro-brasileiras e indígenas, a Curitiba Cia de Dança traz um espetáculo de dança contemporânea “Dançando Villa”. São apresentações de 04 a 06 de abril no Sesc da Esquina. O trabalho é inspirado em Heitor Villa-Lobos, um dos maiores nomes da música clássica brasileira, e sua relação com a cultura popular. A dança resgata essa influência passando por manifestações nordestinas, de religiões de matrizes africanas e vivências indígenas.

A diretora, Nicole Vanoni, relatou o preconceito do público que muitas vezes não aceita o tema de religiões afro-brasileiras. A companhia levou a apresentação para diversas cidades e enfrentou resistência de apresentações em escolas, por exemplo. Nicole usa a dança como forma de falar sobre esse preconceito e resgatar uma tradição nacional: “eu falo com meu corpo”.

“Homens Pink”

Já as vivências de homens gays com mais de 60 anos foi o ponto de partida de “Homens Pink”. Renato Turnes reuniu histórias de nove idosos que vivenciaram desde nos anos 1970 até hoje as mudanças sociais envolvendo a comunidade LGBTQIA+. “Há uma ancestralidade LGBTQIA+ que, em contato com os mais jovens, codifica um senso mais forte de comunidade”, explicou. O projeto nasceu como filme documentário e chega agora aos palcos do Teatro José Maria Santos, nos dias 02 e 03 de abril.

Temas como ditadura militar, AIDS e envelhecimento permeiam as narrativas coletadas. O espetáculo traz novas visões possíveis, celebrando o passado e imaginando o que vem em frente. “Se sentir pertencendo a uma história, entender de onde a gente veio e preparar um caminho para possibilidade de futuro”, explicou o diretor sobre seus objetivos.

“Encantado”

O espetáculo “Encantado” venceu o Prêmio APCA de Dança em 2022, e ocupa o Guairão. A diretora Lia Rodrigues cria um movimento a partir do contato de artistas com cobertores. “O cobertor é a nossa pele”, comentou Valentina Fittipaldi. Partindo de uma relação com o encantamento de se deparar com algo maravilhoso e também de encanto como um feitiço, busca-se considerar outras formas de vida, que ganham movimento em cena.

“In On It”

Emilio de Mello e Fernando Eiras retornam ao espetáculo “In On It” quinze anos depois da primeira montagem. Sucesso de crítica e público na época, a peça tem nova montagem com os mesmos atores e direção de Enrique Diaz. “(O texto) ainda nos toca, nos emociona, nos questiona”, comentou Eiras. O texto de Daniel MacIvor traz dois personagens e o desenvolvimento da relação entre eles, mas de forma não linear. Com a remontagem, ganha ainda novas camadas. “Essa peça é uma vida”, o ator complementou.

Há diversos subtextos circulando a montagem, desde o que é real e o que é espetáculo até a natureza dos personagens. Essas relações evocam clássicos do teatro como o russo Tchekhov. “Tchekhov tem uma subjetividade, uma pulsação”, explicou Eiras. A peça caminha pelo drama, mas deixa transparecer momentos cômicos, um equilíbrio que mostras a pluralidade da vida. Os atores explicam como sentem que ainda hoje o texto se mantém atual e afetando o público, talvez hoje ainda mais rápido do que na primeira montagem, e sentem isso nos risos mais pontuais. “Não é uma gargalhada homérica, é um riso satisfeito”, completa o ator.

Serviço – 33º Festival de Curitiba

Quando: 24 de março a 06 de abril de 2025

Onde: diversos locais de Curitiba e Região Metropolitana

Quanto: Mostra Lucia Camargo – De GRATUITOS até R$ 85 (entrada inteira), + taxa adm

Risorama – De R$ 42,50 até R$ 85 (entrada inteira) + taxa adm

Fringe – De GRATUITOS até R$ 75 (entrada inteira) + taxa adm

Mostra Surda de Teatro – GRATUITA

MishMash – De R$ 30 até R$ 60 (entrada inteira) + taxa adm

Programa Guritiba – De GRATUITOS até R$ 60 (entrada inteira) + taxa adm

Gastronomix – De R$ 10 até R$ 20 (entrada inteira) + taxa adm

Vendas: No site do festival e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller.

Evento com desconto Clube Cult.

Por Brunow Camman
02/04/2025 17h25

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