Peça celebra líder da Revolta da Chibata e discute racismo com sessões gratuitas

Peça Solo dos Mares discute racismo e a Revolta da Chibata. Foto: Kraw Penas.
Foto: Kraw Penas

A luta de um dos grandes heróis negros do Brasil ganha o palco do Teatro Novelas Curitibanas em junho. A peça “Solo dos Mares” tem seis sessões e celebra João Cândido, líder da Revolta da Chibata e sua luta contra o racismo. A figura histórica inspirou a construção do texto pela Companhia Nossa Senhora do Teatro Contemporâneo. As apresentações são gratuitas, com distribuição de ingresso na bilheteria do teatro uma hora antes, de 06 a 15 de junho – sextas e sábados, às 20h, domingos, às 19h.

A peça tem direção de Isidoro Diniz e César de Almeida, com o ator Elisan Correia realizando um monólogo que denuncia o racismo estrutural enraizado na sociedade. O texto de Salloma Salomão e Ivone Jovino não é uma biografia, mas se inspira em João Cândido para dialogar com questões de igualdade racial atuais. Elementos de religiões afro-brasileiras e resistência cultural de pessoas negras escravizadas também dialogam com a montagem.

Nova peça

Essa temporada não é exatamente a primeira de “Solo dos Mares”, mas também renova a peça. A primeira exibição aconteceu durante a pandemia, com transmissão pela internet em dezembro de 2020. Em 2023, com o retorno do Prêmio Gralha Azul, esteve entre as melhores peças online daquele período. Agora, a peça traz novas referências. Com reflexões mais maduras, de acordo com a produção. “O texto traz algumas memórias de João Cândido, mas a linha principal são reflexões contemporâneas sobre o racismo estrutural que persiste no Brasil, desde os tempos de colônia até hoje. Podemos definir a peça como um ‘solo manifesto’, no qual serão narradas situações cotidianas que revelam a desigualdade racial”, explica Isidoro Diniz.

João Cândido

A história de João Cândido levou anos para ser reconhecida. O marinheiro da Marinha de Guerra liderou a Revolta da Chibata em 1910, no Rio de Janeiro. Na época, mesmo depois do fim da escravidão, os marinheiros – muitos deles, negros – sofriam terríveis castigos corporais e ganhavam baixos salários. O estopim da revolta foi a punição de um colega, de 250 chibatadas. Os revoltados tomaram quatro navios e exigiram o fim dos castigos físicos aos marinheiros. Na época, João Cândido – que ficou conhecido como Almirante Negro – acabou preso e por anos foi esquecido. A história até virou música: João Bosco e Aldir Blanc escreveram “O Mestre Sala dos Mares”, eternizado na voz de Elis Regina.

Quilombos

Depois da temporada no Teatro Novelas Curitibanas, “Solo dos Mares” percorrerá 10 comunidades quilombolas do Paraná. As sessões acontecem a partir de 18 de junho, em Adrianópolis, na Comunidade Remanescentes de Quilombo João Surá. Depois passa por: Barra do Turvo (dia 21/6, na Comunidade Remanescentes de Quilombo Campina dos Morenos), Piraí do Sul (27/6 – Comunidade Remanescente de Quilombo Família Xavier), Ponta Grossa (28/6 – Comunidade Remanescente de Quilombo de Sútil, e dia 29/6 – Comunidade Remanescente de Quilombo de Santa Cruz), Campo Largo (24/7 – Comunidade Remanescente de Quilombo Palmital dos Pretos), Lapa (24/6 – Comunidade Remanescente Quilombo da Restinga e 5/7 – Comunidade Remanescente Quilombo do Feixo), Guaraqueçaba (em data a ser confirmada, Comunidade Remanescente Quilombo Batuva).

SERVIÇO – Espetáculo “Solo dos Mares” em Curitiba

Quando: dias 06, 07, 08, 13, 14 e 15 de junho de 2025

Horários: sextas-feiras e sábados, às 20h, e domingos, às 19h

Onde: Teatro Novelas Curitibanas (R. Pres. Carlos Cavalcanti, 1222)

Quanto: gratuito

Ingressos: distribuídos por ordem de chegada, uma hora antes de cada sessão.

Por Brunow Camman
30/05/2025 14h45

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