Escrevia diários desde os meus 12 anos de idade. Eram tramas ao estilo “novela mexicana”, com seus dramalhões, sentimentalismo exagerado, toques de perversidade. Um melodrama típico da adolescência.

Todas as noites escrevia tudo o que tinha acontecido durante o dia. Tudo mesmo! A amizade desfeita, as broncas infundadas do meu pai, a matemática que era um pé no saco e não servia para nada! As meninas malvadas da escola, planos de fuga, como eu era ruim no vôlei! As férias em Francisco Beltrão, as novas amizades, o novo amor não correspondido… Como eu sentia falta da minha mãe… E quando o sigilo era necessário, surgiam os códigos #$?/:{=%π∆©,  algo tão complexo que eu mesma não compreendia sem usar uma ‘’cola’’ guardada estrategicamente dentro de um apontador velho.

Se a vida andava monótona ou com preguiça de escrever, recortava e colava imagens dos “crushes” famosos, idealizando nossa vida regada a perseguições de fãs malucas, flashes, romance e badalações. Guardava também, papéis de bala, cartinhas de amigas, flores e folhas secas, ingressos de cinema, fotos. Aquilo me fazia bem, era o meu refúgio.

Por anos abandonei completamente o papel e a caneta – a maturidade leva embora um pouco do nosso brilho, os mais loucos sonhos, até então totalmente possíveis, morrem aos poucos, até o dia em que não lembraremos mais que esses já existiram.

Retomei a escrita há pouco tempo, agora em um formato diferente. Um diário virtual sem chaves. Fiquem a vontade para folhear, ler, rir, se emocionar, comentar.

Escrever é conhecer melhor a si mesmo! A cada dia que passa descubro quantas coisas melhorei e quantas ainda preciso melhorar.

Não precisamos ser escritores nomeados ao prêmio Nobel da Literatura, nem temos que ser exímios redatores, cujas regras semânticas e sintáticas tenham que estar ao pé da letra. Uma folha em branco não te critica, não te julga, não te questiona. Ela apenas ouve.

E você, caro leitor? (Acho chic!).

O que falta para escrever?

Vocês dirão:

– Tempo, criatividade, idéias, vergonha…

A escrita é a nossa caixa de Pandora. Ou nos liberta para o bem, ou nos aprisiona para o mal.

Desafiem-se!

As palavras curam.

Crônicas de uma cabeleireira.

Cabelo & Prosa

Bruna é cabeleireira por vocação e cronista por paixão! Ela escreve sobre temas do cotidiano de maneira leve e descontraída. Sua inspiração vem da trivialidade do dia a dia, das experiências que viveu durante a vida, e principalmente dos relatos que ouve durante os seus atendimentos. Cortar e historiar são coisas bem distintas, mas que ao mesmo tempo se completam e preenchem os seus dias. É isso que a move, é isso o que ela ama fazer: colorir, cortar, pentear, e também contar histórias.