O teatro entre processos solitários e coletivos no Festival de Curitiba

Sidarta. Foto: Claudio Pitanga
Foto: Claudio Pitanga

Da idealização de um projeto até a apresentação, uma peça de teatro reúne diversas pessoas, até mesmo quando é monólogo. As entrevistas na coletiva de imprensa do Festival de Curitiba na sexta-feira (10/04) apontaram para esses processos. Participaram o cenógrafo e ator Fernando Marés, representantes da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativa de São Paulo e da Associação Paulista dos Amigos da Arte, e a equipe da peça “Sidarta”.

“Odisseia na Praça”

Carregando blocos de concreto de um lado ao outro da Praça Santos Andrade, o ator e cenógrafo Fernando Marés se inspira na “Odisseia” como uma jornada. Sua “Odisseia na Praça” passa por seis dias carregando 350 blocos, que formarão 70 assentos e o cenário final da apresentação – no dia 12, às 18h30. Ele fará a apresentação do Canto 5 do clássico grego, no qual Ulisses constrói uma jangada para continuar viagem e enfrenta uma tempestade.

Marés inicia o projeto sozinho, mas as pessoas que cruzam seu caminho acabam conversando e até ajudando a carregar os blocos. Ele conta sobre esse processo que inicia solo, mas termina coletivo: “as perguntas fundamentais, as decisões você toma sozinho, depois leva para o coletivo e a troca acontece a partir daí”.

São Paulo Showcase

Uma parceria inédita traz ao Festival de Curitiba a São Paulo Showcase, com 15 espetáculos do Estado de São Paulo vindo à capital paranaense, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativa. A programação gratuita tem iniciativa e produção da Associação Paulista dos Amigos da Arte (APAA). “A gente vem reforçando a ideia de fazer circular aquilo que foi produzido”, explicou Marília Marton, secretária de Cultura, Economia e Indústria Criativa.

O São Paulo Showcase é uma maneira de promover a circulação de projetos e incentivar o público a reocupar espaços culturais depois da pandemia. “Há uma grande responsabilidade na retomada do hábito de consumir cultura”, Marília complementou. Luis Sobral, da APAA, complementou, destacando a importância do diálogo entre estados e o financiamento: “A cultura não tem fronteira, ainda mais em um estado tão próximo quanto o nosso. É imprescindível o financiamento público no campo artístico no mundo, não só no Brasil.

“Sidarta”

Encerrando as entrevistas do dia, a equipe de “Sidarta” comentou sobre a produção, inspirada no livro homônimo de Herman Hesse. O protagonista busca a iluminação, caminhando por vertentes espirituais, sem deixar de lado a materialidade do mundano. A montagem busca a simplicidade em um monólogo sobre olhar para si. O ator Angel Ferreira comentou: “Sidarta’ se tornou para mim um exercício de presença, porque essa história é sobre olhar para dentro. E nesse mundo com muito estímulo, ver a jornada de um personagem que se dedica radicalmente a se conhecer, me parece urgente”. A peça foi indicada ao Prêmio Shell de Melhor Iluminação.

Por Brunow Camman
10/04/2026 17h15

Artigos Relacionados

São Paulo Showcase traz produção cultural paulista para o Festival de Curitiba com 15 espetáculos gratuitos

Mulher em Fuga, com Malu Galli, ganha sessão extra no Festival de Curitiba