O teatro como acolhimento no Festival de Curitiba

Fotos: Annelize Tozetto, Dayana Jacqueline e Lina Sumizono

A terceira rodada de entrevistas no Festival de Curitiba demonstrou o potencial acolhedor do teatro. Seja no resgate de histórias quase perdidas, nas famílias que a arte constrói ou mesmo no lado mais humano de uma divindade da música, a arte transforma com esse sentimento de união. Na manhã de quarta-feira (01), a Sala de Imprensa do Festival recebeu os elencos e equipes de “Tim Maia – Vale Tudo O Musical“, “Vinte!“, “O Grande Cabaré Combo Drag Week“, as mostras da Companhia Ás de Paus e Mostra Insubmissa, e os curadores do Festival de Curitiba.

Premiação

Recentemente premiado com dois Prêmios Shell de Teatro – Melhor Dramaturgia e Melhor Música – o espetáculo “Vinte!” faz parte da Mostra Lucia Camargo. O texto parte de uma pesquisa sobre movimentos teatrais negros da década de 1920, como a Companhia Negra de Revistas, em busca de um diálogo e resgate cultural. A partir disso, se cria uma dramaturgia no sentido de, posto pela dramaturga Tainah Longras: “como a gente do século XXI consegue se conectar com artistas de um século atrás“. O diretor Muricio Lima complementou: “são 100 anos de história que separa e aproxima a gente; a peça tenta fazer esse encontro“. “Vinte!” tem apresentação no dia 02 de abril, 20h30, no Teatro Cleon Jacques.

Interlocuções

Os curadores do Festival de Curitiba – Daniele Sampaio, Giovana Soar e Patrick Pessoa – comentaram sobre o Interlocuções, que reúne dezenas de ações como bate-papos, palestras, lançamentos de livros e performances, numa programação totalmente gratuita. O objetivo é realizar atividades formativas voltadas para a população, aproximando dos grupos de teatro e dos processos de criação. Assim, o público entende melhor como se formam espetáculos e os temas que desejam discutir com a arte. “Os coletivos teatrais são espaços de construção da democracia”, comentou Pessoa.

O trio ainda comentou sobre como realizam a curadoria, tecendo eixos centrais que reúnem temas e linguagens que se cruzam. Giovana apontou que quase um terço da Mostra Lucia Camargo traz espetáculos mais disruptivos em forma, e Daniele complementou: “o Festival também é espaço de experimentação de linguagem”. No site do Festival, é possível acompanhar toda a programação do Interlocuções.

Combo Drag Week

Um grande festival de arte drag e performática agora está presente na Mostra Lucia Camargo do Festival de Curitiba. O Combo Drag Week apresenta “O Grande Cabaré Combo Drag Week“, nos dias 05 e 06 de abril, 20h30, no Guairinha. O espetáculo celebra 10 anos da drag Juana Profunda, que comanda o evento e ajuda a formar e profissionalizar novas artistas de artes ligadas ao cabaré e ao universo drag.

Ao comentar sobre preconceito e ataques conservadores à arte drag, Juana é categórica: “nossa força está no palco”. Artistas como Anita Malcher comentaram sobre vir de outros estados para morar em Curitiba e formar um grupo múltiplo de artistas. “A gente funciona muito como um lugar de acolhimento”, complementou Juana Profunda.

Mostras

A Companhia Ás de Paus, de Londrina, e os artistas que formam a Mostra Insubmissa, de Juiz de Fora (MG), comentaram sobre trazer mostras próprias para dentro do Fringe. Os artistas londrinenses sã conhecidos por espetáculos de rua. Dessa vez, as duas mostras acontecem no Memorial de Curitiba, aliando a potência do espaço cultural com a dinâmica da rua.

A participação no Festival de Curitiba permite que os grupos circulem mais por outras regiões. “O Fringe é uma fenda que se abre e a cidade pode respirar teatro por todos os cantos”, comentou o diretor Rafael Coutinho.

Tim Maia

Depois da primeira sessão na noite anterior no Teatro Guaíra, o elenco de “Tim Maia – Vale Tudo o Musical” encerrou a manhã de entrevistas com emoção. O elenco todo reunido na sala mostrou a força do coletivo na elaboração da peça, que mostra um Tim Maia livre em um texto criativo. O filho do cantor, Carmelo Maia, também produtor do espetáculo, comentou sobre essa nova montagem, que era imperativo que: “a música do Tim Maia fosse maior do que algum erro que ele tenha cometido”.

A encenação brinca com a interação com a plateia, tem músicas originais além das canções marcantes e momentos emocionantes, como a relação com a mãe. “Eu queria que falasse mais do homem que do mito, mais do Sebastião”, afirmou Carmelo. Depois de elogiar o trabalho do ator Thór Junior, que interpreta Tim, o filho pediu para que ele cantasse. Ao estilo do grande artista, Thór encantou a sala de imprensa cantando “Você” e depois puxando os outros atores e até os jornalistas para o acompanhar.

Por Brunow Camman
01/04/2026 19h38

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