No dia 5 de abril, minha família recebeu um bilhete. Deixada no portão de casa, uma ameaça: que medidas fossem tomadas para evitar que nossos cachorros não subissem no muro, assustando as crianças levadas pra creche. Caso não fosse feito em 10 dias, seriam assassinados. Abaixo, a cópia dessa carta.

12512670_1654862631444137_3684388202406425784_n

Claro que todos ficamos preocupados. Eddie, Beyoncé e Roland, três bichos dóceis, brincalhões e carinhosos. Nossos vira-latas. Eddie sempre sedento por atenção, com o pelo do peito tão macio que não consegui nunca entender como poderia ser melhor que um bicho de pelúcia. Meu filho, sempre tive a certeza de que entendia cada emoção sentida por mim em cada momento da vida. Ele ficava doente comigo. Levantava meu astral. Respeitava cada tom de voz e, sempre que eu me ajoelhava no chão e fazia uma ‘gaiola’ com os braços, pulava para dentro e ficava desesperado de alegria por estar comigo.

IMG_3805

Beyoncé. Delicada, tímida, levei anos para conquistar a confiança dela, retribuída com uma espreguiçada seguida de um pedido de carinho. Se eu estivesse sentado no chão e olhasse para o lado oposto dela, a ignorando, encostava seu nariz gelado em meu rosto e não o tirava até que eu a abraçasse.

IMG_3812

Roland foi adotado por ser o depressivo da ninhada, um solitário, mas com os anos se tornou a coisa mais desajeitada e brincalhona do universo. Desengonçado, tropeçava em tudo e aguentava, como que sorrindo, cada aperto mais forte em cada tarde de domingo sendo sacudido pelo quintal. Meu príncipe. Meu meninão.

11169170_895258907184522_561024185061160246_n

Hoje pela manhã, 2 dias depois, acordo com a notícia de que Eddie e Beyoncé amanheceram mortos no quintal. Roland, apesar de bem fisicamente, deitado quietinho, chorando do jeito que só quem teve um animal querido sabe o quanto é de cortar o coração. Pensando que há dois dias eu não tinha nem perspectiva de que teria de lidar com algo tão hediondo (já perdi outros cachorros da mesma maneira, mas nos tempos de criança, a perspectiva era outra), resolvi lidar com tudo da maneira que sei: escrevendo.

Se você pensa pensou em algum momento em fazer algo do tipo com algum animal, lembre-se: assassinar um animal não é só se livrar de um pouco de pulga. É causar sofrimento para todos os seus donos, independente de quem sejam, e descontar sua raiva em um ser que não tem ideia do que se passa na cabeça de quem lhe dá comida ou veneno.

O QUE FAZER

A ONG do Cão traz informações completas do que fazer em casos semelhantes, indicando a Delegacia de Meio Ambiente de Curitiba, que fica na Rua Erasto Gaetner, 1261 – Bacacheri, em frente à Base Aérea de Curitiba. O telefone de lá é o (41) 3356-7047. Maus tratos a animais silvestres e domésticos é crime, e o site fornece inclusive orientações de como agir para realizar a denúncia.

Apresentando as leis que envolvem a abertura do processo, é recomendada inclusive a junção de provas para auxiliar o caso, como fotos, laudos etc. Ainda, há um lembrete: as autoridades possuem o dever de atendê-lo e cumprir a lei.

Não traz conforto algum, entretanto, havendo a possibilidade de responsabilizar o criminoso e de evitar que mais coisas do tipo aconteçam, é importante não ficar parado. Espero, de coração, que mais pessoas não precisem sentir falta de um nariz gelado colado ao rosto, das tremedeiras de excitação ao ser recepcionado ao fim de um dia cansativo de trabalho e ‘mastigadas’ carinhosas na mão.

Para que não achem que se trata de algo atípico:

“Serial killer” mata 40 cães em Curitiba.

Cachorros são mortos envenenados em Curitiba.

Moradora denuncia morte de 4 cães por envenenamento e diz que flagrou culpado.