Que o mercado cinematográfico de animações vem numa grande crescente não é novidade para ninguém. Contamos anualmente com muitos exemplares do gênero e normalmente surgem boas produções para toda a família. Entretanto, em meio a tal onda acabam aparecendo alguns exemplares pra lá de descartáveis e até mesmo as grandes produtoras não escapam disso. E é aí que entra O Poderoso Chefinho, mais nova animação da gigante DreamWorks e estreante nesta quinta, 30, em território brasileiro.

A trama já é bem batida: desespero do então filho único ao saber que irá ganhar um irmãozinho, com quem terá que dividir a atenção, porém o novo integrante da família já fala e se porta como um adulto. O Poderoso Chefinho está ali em missão infiltrada para “garantir” a chegada de mais bebês às famílias em um cenário que os animais de estimação vêm ganhando espaço (único diferencial no roteiro e muito mal aproveitado).

O Poderoso Chefinho na verdade é baseado no livro de mesmo nome lançado em 2010 pela escritora Marla Frazee, famosa nos EUA por suas obras infantis. Aqui foi adaptado às telonas pelo roteirista Michael McCullers, “conhecido” pelo escrachado ‘Austin Powers’, e com pouquíssimo tato para animações familiares. O diretor é Tom McGrath, responsável pela trilogia ‘Madagascar’ e ‘Megamente’, que já acostumado com o gênero consegue extrair algumas cenas interessantes.

O trocadilho encontrado pelos distribuidores foi uma forma de ligar o estilo do personagem principal com um dos maiores filmes de todos os tempos, e assim surgiu O Poderoso Chefinho. Chega até ser uma ofensa com a grandiosa obra de Coppola em ter seu nome ligado à isso. A animação exagera no tom e acaba delirando de uma forma que cansa o espectador.

Em O Poderoso Chefinho temos dois protagonistas: o menino mais velho que é muito chato, assim como todas suas frescuras e lado imaginativo. E o tal bebê falante irritando na maioria das vezes e que ao invés de ser fofinho acaba se tornando esquisito, assim como a corporação onde trabalha. Os desfechos são totalmente previsíveis e o roteiro encontra caminhos beiram o cômico (no sentido ruim/de tão mal elaborado).

Existem alguns momentos legais e uns plots interessantes como o desespero de perder a atenção ao ganhar um irmão e a “disputa” entre filhos ou pets. É possível se descontrair nos momentos do grupo de bebês falantes, principalmente com o gigante guarda-costas, e em sacadas rápidas que funcionam bem.

Só que em uma análise geral, O Poderoso Chefinho é uma das animações mais fracas dos grandes estúdios e fracassa fortemente em tempos onde Pixar/Disney crescem absolutas com animações brilhantes. No final temos uma produção que talvez funcione como um passatempo infantil e nada mais.

Trailer – O Poderoso Chefinho