O passado e o futuro do teatro em cena no Festival de Curitiba

Coletiva de imprensa no Festival de Curitiba. Foto: Annelize Tozetto
Foto: Annelize Tozetto

O resgate de fatos históricos ganhando os palcos e as novas gerações de artistas da cena dialogaram na coletiva de imprensa de quinta-feira (09/04) do Festival de Curitiba. Por um lado, a Mostra Maracangalha, a Mostra Des-Captura e Aquela Cia buscam no passado uma força da identidade brasileira e latino-americana, e a Mostra Petrobras de Novos Bifes revelou jovens atores e dramaturgos. O autor Gyl Giffony completou a conversa com seu livro sobre gestão de carreira e projetos culturais.

Mostra Maracangalha

O Teatro Imaginário Maracangalha comemora 20 anos com quatro peças e uma oficina no Festival de Curitiba. O diretor Fernando Cruz comentou sobre o teatro documentário que o grupo exerce, resgatando histórias de Campo Grande (MS), onde o grupo nasceu, e figuras relevantes para a história do Brasil. Por exemplo, a liderança guarani Marçal de Souza, que foi fundamental na demarcação de terras indígenas, e do escritor modernista Lobivar Matos, que passou décadas sem ter o destaque merecido. No dia 10, às 17h, acontece um “Cortejo Antropofágico” que demonstra os ideais de democratização de espaços púbicos e acesso ao teatro: “O cortejo é uma linha central da nossa pesquisa, como forma de ocupação das ruas”, revelou o diretor.

Des-Captura

Solos de dança que trazem para a cena um reconhecimento familiar de pessoas negras compõem a Mostra Des-Captura. Brenda Santos, produtora dessa mostra, destacou como uma linha guia na seleção de espetáculos foi “o encontro consigo mesmo a partir de suas famílias e a importância da vida em comunidade”. Dentro disso, pontos de contato se interligam como a negritude, o resgate das vivências em África e as diferentes formas de resistência no Brasil.

Mostra Petrobras de Novos Bifes

A companhia curitibana Bife Seco comemora 15 anos abrindo espaço para novas companhias. A Mostra Petrobras de Novos Bifes apresenta quatro espetáculos e um bate-papo, promovendo a profissionalização e criação de jovens artistas. Foram selecionados dois projetos de Curitiba e dois do estado do Rio de Janeiro. “Essa mostra está falando de futuro e quais contribuições podemos fazer para o teatro brasileiro”, pontuou Sávio Malheiros, diretor de produção da companhia.

Gestão de carreira na arte

O ator e produtor Gyl Giffony participa do Interlocuções falando sobre gestão cultural e financiamento de projetos artísticos. Gyl alia sua formação em Direito e o estudo no campo das artes no livro “Projétil”: “a palavra ‘projétil’ tem uma ressonância de projeção e trajetória artística”. Nisso, ele promove o entendimento dos próprios artistas sobre a produção e as burocracias na elaboração de projetos. “Hoje, estamos mais interessados em falar sobre negócio e carreira sem medo”, concluiu.

Veias Abertas

A inspiração de um clássico da literatura, “As Veias Abertas da América Latina”, gerou uma peça com sessões na Mostra Lucia Camargo do Festival de Curitiba. “Veias Abertas 60 30 15 seg” busca no livro de Eduardo Galeano as vivências nas Américas do Sul e Central para criar uma dramaturgia que não ignora as dificuldades do passado. Pelo contrário, dialogam com o presente. “As histórias da América Latina são interrompidas, é uma história toda descontínua”, comentou o dramaturgo Pedro Kosovski. A peça entende o texto de Galeano a partir de uma chave contemporânea, discutindo por exemplo a captura do nossos tempo pelas redes sociais.

Por Brunow Camman
09/04/2026 22h12

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