O “manda nudes” virou uma febre tão grande que, talvez, o seu sentido já tenha se banalizado ou sexualizado — não que isso seja algo ruim. Mas há toda uma outra ideia por trás da disseminação dessa prática. E ela se chama empoderamento.

A construção social em cima das noções de beleza e dos padrões do que é normal e estranho pode criar rachaduras profundas na estrutura que representa a nossa autoconfiança e segurança relacionada à sexualidade, principalmente quando você sofre algum tipo de agressão verbal por conta disso. São os diversos tipos de preconceitos, racismos, e fobias que existem por conta da tentativa do ser humano de definir um denominador comum para o que é belo.

Os problemas são diversos e conhecidos: bulimia, depressão, anorexia, síndrome do pânico etc. Às vezes, quando se tem curvas grandes demais, tem a pele mais escura ou não se identifica com as noções de gênero, é preciso mais do que coragem. É preciso se gostar, aceitar-se e se empoderar da sua beleza. E as nudes podem ter um papel essencial nesse contexto.

A arte de se fotografar nu

Em diversos sites feministas, as nudes são apresentadas como facilitadoras no processo de empoderamento do corpo feminino, uma vez que é um reflexo da busca da mulher para encontrar a sua própria sensualidade. Além, é claro, de contribuir para o autoconhecimento e maximizar a sensação de liberdade e de autoridade sobre o próprio corpo. Isso é uma verdade não apenas para as mulheres, mas para os homens também.

Ao conhecer melhor o seu corpo, você passa a enxergar partes que te agradam e começa a se achar mais bonito. É nelas que você deve focar. Lembre-se, não somos perfeitos, então não tem problema algum em ter vergonha de uma parte do seu corpo. O problema está em você deixar isso aumentar sua insegurança e fazer você evitar mostrar as partes boas.

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Ensaio “Dawn Yet to Come” (Foto: Bruno Archie / Viva Caligula)

Recorrer à fotografia nesse caminho de autoaceitação pode ser uma forma de quebrar estigmas. É nisso que acredita Bruno Archie, fotógrafo do projeto Viva Caligula. Para ele, “a nudez tem sua naturalidade negada e é interpretada como exclusivamente de cunho sexual”. O projeto, que teve início em 2011, trabalha ensaios de nu artístico e é “uma forma de manifesto pelo corpo e busca exercitar a reflexão quanto à autoaceitação, diversidade e liberdade sexual”.

Fotos vazadas

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Ensaio “Red Carpet Grave” (Foto: Bruno Archie / Viva Caligula)

Aqui vai uma ressalva: cuidado com quem você compartilha seus nudes. Esse tipo de foto é importante para você se sentir atraente, feliz e confiante. Para se revoltar contra o mundo que te oprimiu e sufocou e se subverter com o seu corpo lindo e inteiramente seu. Entretanto, a pornografia de vingança e tantas outras atitudes são um grande incômodo para quem vai além de se fotografar para si e decide compartilhar com segundos e terceiros — a culpa não é sua quando ela vaza, mas, infelizmente, acaba sobrando para você lidar com o problema.

Portanto, o nude é uma arma poderosa com dois efeitos. Ame seu corpo da forma que ele é e fotografe-se para reforçar sua beleza. Empodere-se.

*As fotos usadas nesse texto são de autoria de Bruno Ribeiro e fazem parte do Viva Caligula.