Jovem Dionisio prepara novo capítulo da própria história e show gratuito na Rua XV; confira o bate-papo exclusivo da banda com o Curitiba Cult

Jovem Dionísio. Foto: Henrique Thoms.
Foto: Henrique Thoms

A Jovem Dionisio está prestes a abrir mais um capítulo da própria trajetória. Depois de dois discos marcados por hits que ecoaram muito além de Curitiba, a banda agora prepara o lançamento de “Migalhas”, um álbum que nasce de uma mudança de rota no próprio processo criativo.

E a abertura da turnê do novo álbum vem como uma entrada triunfal: um show gratuito na Rua XV de Novembro. Nesta sexta-feira (20), o tradicional calçadão do centro se transforma em palco para a Jovem Dionisio, em um encontro que tem tudo para virar coro coletivo entre fãs, curiosos e quem apenas passava pela rua. A apresentação também integra a programação oficial dos 333 anos de Curitiba, reforçando a relação da banda com a cidade onde tudo começou.

Entre prédios históricos, cafés e o movimento típico do centro, a Jovem Dionisio retorna às próprias origens para dar o primeiro passo da nova turnê, em um cenário que resume bem o que a banda se tornou: um dos símbolos mais recentes e autênticos da música curitibana.

E se antes o caminho passava por computadores e experimentações digitais, agora a proposta é outra: fazer música como quem divide o mesmo espaço, o mesmo tempo e os mesmos erros.

Cara, esse disco surgiu da gente querendo mudar a nossa fabricação de música. Nos nossos primeiros discos a gente tinha um processo criativo que envolvia muitas possibilidades. A gente usava muita coisa do digital, muita coisa do computador”, conta Belni. A virada aconteceu quando a banda percebeu que, depois de tanta estrada e turnê, o entrosamento ao vivo já fazia parte da identidade do grupo. “Então a gente olhou e falou: ‘cara, vamos fazer um disco todo tocado’. Ao invés de cada um gravar separado, a gente falou: ‘vamos fazer todo mundo fazendo isso juntos’. E se for para errar, a gente erra juntos. Se for para acertar, a gente acerta junto.

Esse espírito coletivo promete atravessar o álbum inteiro. As letras confessionais continuam sendo a espinha dorsal do grupo, mas agora dividem espaço com uma atenção ainda maior aos instrumentos, aos timbres e à presença física do som. A banda mantém o tom íntimo que sempre guiou suas histórias, quase como quem conversa com alguém de madrugada, enquanto os acordes ganham novas camadas e experimentações.

Uma das primeiras pistas desse novo momento chegou com “Melhor Resposta”, single que antecipa o clima do disco e aposta em nuances mais clássicas, especialmente pela presença marcante do violino. “[Melhor Resposta] resume bem o momento que a gente tá agora, né?”, comenta Ber Hey. 

Eu acho que ela tem muitas das vontades que a gente tem dentro desse disco”, explica Belni. “Ela sintetiza essa ideia do manual, do som feito de forma manual, com as mãos.

A faixa chega acompanhada por outras duas prévias do novo trabalho, “Faz Tanto Tempo” e “Saídas”, lançadas na madrugada da última terça (17) para quarta (18). Juntas, elas funcionam como pequenos pedacinhos do que está por vir.

Baleias, mar e um retiro criativo na Praia do Rosa

Talvez seja coincidência, talvez não, mas quem acompanha a Jovem Dionisio sabe que o grupo sempre encontrou poesia em pequenos detalhes do cotidiano. E não é de vestido rosa que eles posam para o novo álbum, mas sim de um cenário que ajudou a moldar as novas canções. Como em um verdadeiro retiro musical, o grupo se reuniu na Praia do Rosa, em Santa Catarina, para compor o novo trabalho.

Entre julho e agosto, os integrantes decidiram se afastar da rotina e mergulhar completamente nas músicas. A dinâmica era simples: compor, comer, caminhar e observar o mar.

Foi meio que acordar de manhã, trabalhar um pouco nas músicas, sair para almoçar, ir até o mar ver baleia e depois voltar para trabalhar no disco”, lembra Guga.

O encontro com os animais acabou virando um detalhe curioso e inesperado do processo. “Foi bem por acaso”, conta Belni. “Tem uma época na Praia do Rosa que aparecem baleias. E a gente estava justamente nessa época. Todos os dias tinha baleia.

E o que começou como surpresa rapidamente virou parte da rotina criativa da banda. “A gente via baleia e passou a ser algo comum. Eu comprei um binóculo para ver melhor”, lembra Fufa. “Teve dias que a gente viu dez baleias ao mesmo tempo. Baleias com filhotes. Virou algo comum.

Eles falam que não há nenhuma música exclusivamente sobre baleias no disco, mas dão a certeza que a experiência inspirou as composições. 

Jovem Dionisio faz show no Aniversário de Curitiba. Foto: Hully Paiva/SECOM.

Jovem Dionisio faz show no Aniversário de Curitiba. Foto: Hully Paiva/SECOM.

Um disco feito em imersão

O tempo de produção também acompanhou essa intensidade. Diferente dos álbuns anteriores, “Migalhas” foi criado em cerca de seis a sete meses, um processo relativamente rápido para a banda.

Começou mais ou menos em julho ou agosto e a gente terminou antes de acabar o ano”, explica Belni.

Mas rapidez, nesse caso, não significa simplicidade. Pelo contrário. Segundo os integrantes, o disco exigiu uma concentração quase total.

Acho que ele foi mais rápido porque a gente quis fazer essa imersão. Esquecer de tudo e focar nisso. Parar com tour, parar com tudo e só tocar. Foi o disco que a gente mais se concentrou e mais lapidou para ter esse resultado final.” conta Fufa.

Um ônibus que vira palco

Se o novo álbum nasce de um desejo de proximidade entre os integrantes, a próxima turnê também promete refletir esse espírito. Durante a conversa, a banda revelou um detalhe curioso sobre o futuro da estrada: um ônibus que se transforma em palco.

A ideia surgiu justamente da necessidade de continuar criando enquanto viajam. “O ônibus é meio que uma solução para esse problema que a gente tinha”, explica Guga. “Agora a gente vai conseguir viajar no nosso próprio ônibus e, quando ele estiver estacionado, a gente consegue fazer música.

O veículo ainda está nas fases finais, um processo que, segundo a banda, deveria levar cerca de um ano, mas está sendo acelerado para poucos meses. O detalhe é que o Curitiba Cult foi o primeiro veículo a ver a novidade, quando ainda estava em construção.

 

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Colaborações e silêncio estratégico

Outra marca da Jovem Dionisio sempre foram as colaborações. Ao longo dos últimos anos, a banda dividiu estúdio e palco com diferentes nomes da música brasileira, como Anavitória, Arnaldo Antunes, Gilsons e Menos é Mais. Por isso, a pergunta sobre possíveis participações em “Migalhas” era inevitável.

Mas, dessa vez, a resposta veio em tom de suspense.

A melhor resposta acho que é nenhuma resposta, nesse caso”, afirma Belni, com bom humor e deixando no ar a expectativa sobre o que pode aparecer no disco.

Antes de tudo, Huff

Muito antes de virar um fenômeno nacional com “Acorda Pedrinho”, a banda atendia por outro nome: Huff. Era uma versão inicial da Jovem Dionisio, dando os primeiros passos diante do destino.

Ao imaginar um encontro entre os integrantes de hoje e aqueles primeiros jovens músicos, as respostas vieram em forma de conselho e também de carinho com o próprio passado.

Pratique esportes. Durma bem. Se alongue”, brinca Ber Hey.

Mas é Belni quem resume melhor o sentimento: “Segue firme, vai na fé. Tome água para caralho, vai fazer diferença, principalmente para a pele. Acho que eu falaria para acreditar. Na real, para fazer algo que a gente já fez, que é seguir a intuição.

Jovem Dionisio na época da Banda Huff. Foto: reprodução redes sociais.

Jovem Dionisio na época da Banda Huff. Foto: reprodução redes sociais.

E talvez seja exatamente isso que define a trajetória e autenticidade da Jovem Dionisio até aqui: uma banda curitibana que nunca pareceu muito preocupada em seguir fórmulas do mercado.

Por a gente ser de Curitiba, a gente não fica se respaldando no que está acontecendo no mercado. A gente se respalda mesmo na nossa cabeça, perguntando um para o outro o que acha, o que pensa. E daí a gente chega nessas conclusões meio malucas”, confessa Belni.

Entre migalhas de ideias, baleias no horizonte e acordes tocados à mão, o novo disco da Jovem Dionisio parece nascer exatamente desse lugar: um espaço onde o inesperado vira música.

Por Yasmin Luz
19/03/2026 16h59

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