Jason Mraz retorna a Curitiba com propósito e gratidão: “Eu faço música para deixar o mundo mais brilhante”

foto: Shervin Lainez
foto: Shervin Lainez

São mais de duas décadas de uma carreira repleta de hits conhecidos em todo o mundo. “I’m Yours”, “I Won’t Give Up” e “Lucky” são apenas alguns exemplos de canções icônicas de Jason Mraz que marcaram gerações, além de terem rendido ao cantor dois prêmios Grammy. Mas o ritmo que guia sua vida hoje é outro. Um ritmo mais lento, conectado à natureza e aos ciclos da Terra. “Eu escolhi viver uma vida mais quieta e em paz”, conta ele em entrevista exclusiva ao Curitiba Cult, às vésperas de embarcar na turnê “A Return to South America” – o retorno à América do Sul – que conta com cinco shows no Brasil.

Além de Curitiba, onde se apresenta em 03 de março no Teatro Positivo, Jason Mraz também passa por São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. Desta vez, porém, a experiência promete ser diferente. Se turnês anteriores se resumiam em “surfar e procurar açaí”, agora o cantor planeja viver as cidades com mais tempo, calma e curiosidade.

Morando atualmente em uma fazenda cercada por plantações de abacates orgânicos e café, Jason terá de dois a três dias livres para explorar a capital paranaense. “Estou muito animado para explorar cafeterias”, conta ele, que também já incluiu um dos principais cartões-postais da cidade em sua lista de desejos – o Jardim Botânico. “Eu sou muito fã. Eu amo a vida das plantas e ver coisas que eu nunca vi”, diz.

No tempo da Terra

Esse ritmo de vida mais calmo ganhou ainda mais espaço após a pandemia. “Tivemos que pisar nos freios com a turnê. Isso me permitiu realmente entender a marca que deixamos na terra quando viajamos. Eu decidi que, se saíssemos disso, eu gostaria de me mover no tempo da terra. Na hora certa encontraríamos o tempo de voltar”, explica ele sobre o retorno, finalmente, à América do Sul.

Professor de yoga certificado, Jason conta que construiu sua rotina a partir da ideia de desacelerar e respirar fundo. “Eu entendo, talvez por eu viver na fazenda, que a natureza tem uma linha do tempo própria. Então eu sei quando é preciso colher as frutas, quando é verão e é hora da colheita do café. Então eu faço a minha agenda em torno do que a natureza está fazendo.” É assim que ele encontra espaço para equilibrar diferentes frentes da carreira – de participações em programas como Dancing With the Stars e apresentações na Broadway a projetos locais com estudantes e turnês internacionais.

A turnê, inclusive, é algo que dá gás para outros projetos de extrema importância ao cantor. Ele é envolvido em sua fundação, com projetos de educação artística e promoção da igualdade. “Eu quero ajudar o mundo a evoluir e se tornar um lugar repleto de amor que aceita a todos. Isso deveria ser muito fácil”, diz. Atingir a todos de uma só vez pode ser desafiador, mas ele garante a importância de trabalhar dentro de sua comunidade – e ainda usar a música como acesso. “A música tem um efeito mágico. Ela me permite compartilhar e me conectar com idades e origens culturais diferentes”. Além do lado espiritual, a música também permite proporcionar outros benefícios. “Por eu ter sucesso na música, eu posso usar esse dinheiro e colocar em outros programas para auxiliar as pessoas”, finaliza.

De um lugar escuro para a luz

Quem acompanha a carreira de Jason Mraz, marcada por canções esperançosas e luminosas, talvez não imagine que o ponto de partida criativo costuma ser um lugar “escuro”. “É isso que me motiva a fazer música. Sentar em um lugar escuro, vazio, assistindo às notícias e ouvindo todas as coisas terríveis que estão acontecendo no mundo. Achar que eu preciso ajudar”, revela.

Segundo ele, é justamente esse trajeto que dá origem às músicas mais otimistas. “Se há um ponto essencial para o qual você está tentando trazer luz, eu acho que isso faz música positiva”, explica. O artista ainda faz questão de desfazer qualquer idealização excessiva. “Não se trata de sentar em um arco-íris e achar que tudo é perfeito. É o oposto. Eu faço música para deixar o mundo mais brilhante para mim, e se isso funciona, se eu me transformo, é isso que eu levo para o palco”, conclui.

A doçura do público brasileiro

Ao falar do Brasil, Jason Mraz demonstra carinho e gratidão, e brinca que o recado de “come to Brazil” (o famosos “venha ao Brasil” nas redes sociais), foi ouvido. “A qualidade da voz que as plateias compartilham é linda, e mostra como tem um rico componente musical na cultura do Brasil”, relata. Ao montar o setlist, ele parte do que ainda faz sentido para quem ele é hoje. “Músicas sobre amor, conexão, unificação. Eu acredito que ainda consigo tocar em algo de cada álbum até certo ponto, mas certamente eu percebo que com álbuns mais antigos é um ego diferente que estava escrevendo aquelas músicas”, explica.

Acima de tudo, o objetivo é simples e profundo: fazer com que as pessoas aproveitem suas vidas. “Tem sempre muitas coisas nos desafiando. Mas a paz sempre vai ser um trabalho interno. Todo mundo vai ter que trabalhar e fazer algo, nem que sejam várias coisas pequenas na sua rotina, para continuar cultivando o conforto e a felicidade”, garante o cantor.

É isso que Jason espera que o público leve de seus shows. “Cantar é um exercício de respiração, certo? Letras, mantras, só para trazer nosso cérebro de volta para aquele lugar de paz”, diz. Ele conclui com leveza. “Obviamente, se as pessoas estão comprando um ingresso para o show, elas já sabem como aproveitar suas vidas”, garante. Nós, certamente, concordamos – e dessa vez, Curitiba fará parte desse encontro especial, no tempo certo, no ritmo da Terra.

SERVIÇO – JASON MRAZ EM CURITIBA

Quando: 03 de março de 2026 (terça-feira)

Onde: Teatro Positivo (Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300)

Horário: abertura da casa às 20h e show às 21h

Ingressos: os ingressos variam de R$ 400 a R$ 1.300, variando de acordo com o setor e modalidade escolhidos

Vendas: Disk Ingressos (diskingressos.com.br)

Por Angela Antunes
19/01/2026 11h33

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