
O rock não envelhece, apenas ganha novas histórias para contar, e poucas bandas sabem transformar cinco décadas de estrada em um espetáculo tão grandioso quanto o Iron Maiden. Nesta quarta-feira (29), o grupo britânico levou a força do heavy metal à Arena da Baixada, em Curitiba, com um show que reuniu gerações, misturou música e teatro e marcou o último compromisso da banda no Brasil com a turnê “Run for your Lives World Tour”.
De acordo com a produtora do show em Curitiba, em informação exclusiva para o Curitiba Cult, a apresentação levou 40 mil pessoas ao estádio, cantando em uma única voz. O público era majoritariamente de meia-idade, mas também contava com diversas crianças na garupa dos pais, mostrando que a paixão pelo rock não tem idade e atravessa gerações. Os espaços que ainda estavam livres na plateia durante a apresentação da banda de abertura foram completamente preenchidos para o show principal, com lugares vazios apenas no fundo de cada pista.

Iron Maiden em Curitiba, na Arena da Baixada. Foto: Thiago C Bahia/Cromo
Aos 50 anos de carreira, o Iron Maiden segue como uma das grandes referências do heavy metal mundial, e não é difícil entender o motivo. A banda entregou um show energético, daqueles em que a plateia não apenas assiste, mas acompanha cada movimento, canta cada refrão e responde aos músicos como se todos estivessem conectados por uma mesma força. O vocalista, Bruce Dickinson, demonstrou saber conduzir o público com maestria, mantendo a energia em alta e transformando a Arena em parte ativa do espetáculo.
O palco também foi muito bem aproveitado. Enquanto tocavam seus instrumentos com destreza, os músicos corriam, pulavam e percorriam a estrutura com uma disposição impressionante, reflexo de mais de cinco décadas de carreira. A apresentação ganhou ainda mais força com a pirotecnia e os efeitos especiais, que ampliaram a atmosfera de cada música sem tirar o protagonismo da banda. Tudo parecia calculado para manter os olhos do público voltados para o que acontecia diante dele.

Iron Maiden em Curitiba, na Arena da Baixada. Foto: Thiago C Bahia/Cromo
E não é apenas em show de diva pop que acontecem trocas de figurino. A cada ato, Dickinson surgia com novas camisas e adereços, alternando entre casacos elaborados, máscaras e capas que combinavam com o conceito das músicas. O resultado foi um espetáculo teatral, com storytelling do início ao fim, em que as mudanças visuais, os personagens e os efeitos de palco ajudavam a construir uma narrativa própria. Mais do que uma sequência de canções, o show se transformava em uma experiência imersiva.
Outro detalhe que chamou a atenção foi a quantidade de celulares guardados. Era possível perceber o quanto a plateia curtia o momento ao observar os poucos aparelhos levantados entre os fãs. Em sua maioria, as pessoas optaram por viver o show das suas vidas em vez de registrar cada minuto pela tela, com braços para o alto, pessoas de todas as idades dançando na pista e na arquibancada, e uma entrega que fez a Arena parecer ainda maior. Em tempos de apresentações vistas por meio de vídeos gravados, ver tanta gente escolhendo estar presente de verdade foi um dos pontos altos da noite.

Iron Maiden em Curitiba, na Arena da Baixada. Foto: Thiago C Bahia/Cromo
Com o passar das canções, a euforia foi ganhando ainda mais força. E, quando os primeiros acordes de “The Trooper” anunciaram o início da reta final do espetáculo, o estádio se incendiou com a aura rockeira curitibana. Já em “Fear of the Dark”, ápice do concerto, o público foi à loucura, cantando em coro e transformando um dos clássicos mais emblemáticos da banda em um dos momentos mais intensos da noite.
Entre riffs, solos, pirotecnia e uma plateia completamente entregue, a banda mostrou que cinco décadas não diminuíram sua força; e para quem esteve na Arena da Baixada, a noite foi mais do que um show: foi a chance de fazer parte de uma história que continua sendo escrita, guitarra após guitarra.
E os fãs já podem começar a se preparar, porquê a mensagem de Bruce Dickinson é clara: “We’ll return.”

Iron Maiden em Curitiba, na Arena da Baixada. Foto: Thiago C Bahia/Cromo
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