Homenagem a Maurício Vogue e destaque do Fringe na segunda coletiva do Festival de Curitiba

Coletiva de imprensa no Festival de Curitiba. Foto: Annelize Tozetto
Foto: Annelize Tozetto

A manhã de terça-feira (31/03) foi de celebração local e diálogos com outras regiões do Brasil no Festival de Curitiba. A coletiva de imprensa reuniu atrações da Mostra Lucia Camargo e a produção do Fringe, que conta com 300 atrações nesta 34ª edição do Festival. O ator e músico Maurício Vogue, falecido em dezembro de 2025, foi homenageado em uma cerimônia emocionante. E o ator Luís Melo apresentou a mostra do Campo das Artes, que terá apresentações gratuitas.

Diálogos interestaduais

O Café com a Imprensa do Festival de Curitiba começou com a Carroça de Mamulengos, grupo que, há 49 anos, faz teatro de bonecos e folguedo, com muita música, brincadeira e encenações. O grupo é formado por três gerações de uma mesma família, com o criador da Carroça, Carlos Gomide, a esposa, Schirley França, e os filhos e netos. Tem até uma criança de seis meses no elenco. A mãe, Maria Gomide, brinca: “ela só tem figurino, mas abre os olhinhos e já sabe o que está acontecendo”.

O grupo já esteve em Curitiba, mas há muitos anos. Agora, retorna como numa nova estreia, dentro da Mostra Lucia Camargo, e com a família (e elenco) muito maior. Trazem o espetáculo “Histórias de Teatro e Circo – Três Gerações de Arte Brincante”. A Carroça de Mamulengos tem nas viagens e apresentações de rua sua tradição, e a participação em festivais é o que os ajuda a fazer suas peças circularem. Maria afirma: “A oportunidade de estar em Curitiba nos auxilia a continuar existindo”.

Família Vogue

Na sequência, Maurício Vogue foi homenageado pelo Festival de Curitiba. A mãe, Regina, esteve com seu outro filho, parentes, amigos e integrantes da banda Denorex 80 (da qual ele fez parte), na Sala da Imprensa que recebeu o nome dele – junto à Teuda Bara, outra grande atriz falecida no ano passado. O jornalista Sandro Moser lembrou que Maurício foi uma das inspirações para a criação do Festival, e citou a relevância de seu nome para a movimentação cultural na cidade.

“Ele era luz, ele é e continua sendo”, Regina Vogue contou, “ele está vivo, ele está entre nós”. Foram entregues duas placas de memória, uma pelo trabalho teatral de Maurício Vogue, e outra pela banda Denorex 80 e contribuição para a música local.

Fringe

A mostra Fringe conta com 300 atrações neste ano no Festival de Curitiba, entre peças de teatro nos mais diferentes espaços e formatos. A coordenadora da mostra, Rana Moscheta, confirmou uma grande procura por grupos nacionais em participar do Fringe e também de levar pequenas mostras para o Festival. Há alguns anos, havia sido registrada uma queda na procura das companhias por participar do Fringe, o que levou a produção a reformular formatos, trazer melhorias para o planejamento e recepção de grandes grupos, o que fez aumentar as buscas por participação. Em 2026, serão 119 apresentações de rua, todas gratuitas, 11 mostras dentro do Fringe com 80 atrações, e 140 atrações no Circuito Independente.

O ator paranaense Luís Melo esteve na coletiva de imprensa destacando a 2ª Mostra Pôr do Sol, que ele faz a curadoria e realiza no Campo das Artes, espaço que desenvolveu em São Luiz do Purunã. “As pessoas começam a se apaixonar pelo Festival a partir do Fringe”, o ator ressaltou, dando destaque a essa mostra e revelando a importância de ter apresentações no Campo das Artes. Espetáculos da Mostra Lucia Camargo serão reexibidas de forma gratuita no local, mediante reserva, no site do Campo das Artes.

“Reparação”

Encerrando as entrevistas da manhã, o diretor e elenco de “Reparação” comentaram sobre o espetáculo, que tem sessões nos dias 31 de março e 1º de abril, às 20h30, no Sesc da Esquina. A peça é baseada num caso real dos anos 1980 sobre uma jovem violentada por colegas e que é obrigada a deixar a cidade para ter o filho em outro lugar, mas seu retorno pode causar novas rupturas, ou até uma chance de reparação. Ambientada num salão de beleza, a peça sugere diálogos íntimos de um problema social.

“Todos nós brasileiros temos uma história de violência contra a mulher”, explica o diretor Carlos Canhameiro. Ele partiu de entrevistas e pesquisa do caso real, mas não pretende fazer um teatro documental. A ficção se permite partir de um contexto real e preocupante para pensar novas realidades. O diretor completa: “no teatro, pelo menos, a gente tenta fazer assim: num campo muito subjetivo, há outras utopias”.

Por Brunow Camman
31/03/2026 18h00

Artigos Relacionados

De teatro gratuito a festa anos 2000: 13 motivos para sair de casa no feriadão em Curitiba

Festival de Curitiba: veja o que assistir nesta quinta-feira (02)