Festival Paulo Leminski transforma legado do poeta em encontro de gerações em Curitiba

foto: Vinicius Moscato
foto: Vinicius Moscato

Paulo Leminski fez da palavra encontro, da poesia música e de Curitiba parte de sua obra. Mais de quatro décadas depois de sua morte, seu legado continua ocupando palcos, atravessando gerações e encontrando novos públicos. Um dos exemplos é o Festival Paulo Leminski, que chegou à terceira edição em 2026, no espaço que leva seu nome, a Pedreira Paulo Leminski.

O projeto nasceu em 2024, quando o poeta completaria 80 anos. Inicialmente, a proposta era realizar uma única grande celebração, justamente no espaço que carrega seu nome. A resposta do público, porém, fez com que a homenagem ganhasse novos capítulos.

“A ideia surgiu em 2024, quando meu pai completaria 80 anos. Queríamos fazer uma celebração especial, que tivesse a cara dele: música, poesia, diferentes linguagens e, principalmente, encontro com o público”, conta Áurea Leminski, filha do poeta, presidente do Instituto Paulo Leminski e diretora-geral do Festival.

A primeira edição aconteceu em 24 de agosto de 2024, data em que Leminski completaria 80 anos, e reuniu nomes como Zeca Baleiro, Paulinho Boca de Cantor e Arnaldo Antunes. O que seria uma celebração pontual acabou mostrando potencial para se tornar parte da programação cultural da cidade.

“A resposta do público foi tão positiva que percebemos que aquela homenagem poderia se transformar em algo permanente”, relembra Áurea.

Leminski de volta à Pedreira

Realizar o Festival na Pedreira Paulo Leminski também carrega um significado especial. Além de ser um dos principais espaços de grandes shows do país, o local leva o nome do poeta curitibano. “É muito simbólico. A Pedreira já faz parte da história da música e da cultura brasileira, e saber que aquele espaço leva o nome do meu pai torna tudo ainda mais especial”, explica.

Segundo Áurea, a proposta vai além de uma homenagem. O objetivo é fazer com que a obra de Leminski continue circulando e sendo reinterpretada por artistas e públicos de diferentes gerações.

“O Paulo era muito ligado à música, à poesia, à experimentação e ao encontro com as pessoas. O Festival procura justamente traduzir esse espírito, reunindo diferentes linguagens e gerações. Ao mesmo tempo, existe uma grande responsabilidade. Não queremos apenas homenageá-lo, mas manter sua obra viva, atual e aberta a novas interpretações.”

Mais de 110 músicas e encontros de diferentes gerações

Além da literatura, Paulo Leminski construiu uma relação intensa com a música brasileira. São mais de 110 músicas, além de parcerias e amizades que ajudam a orientar a escolha dos artistas que passam pelo Festival. A curadoria é realizada por Áurea, Estrela Ruiz Leminski e Téo Ruiz, diretores do evento.

“Procuramos artistas que tenham uma conexão verdadeira com a obra do Paulo, mas que também tragam sua própria identidade. Buscamos reunir diferentes gerações, estilos e linguagens. O Paulo era um artista múltiplo, e o Festival precisa refletir essa característica”, afirma Áurea.

De homenagem pontual a tradição de Curitiba

A trajetória das três primeiras edições ajuda a mostrar o crescimento do projeto. Depois da estreia em 2024, o Festival passou a integrar oficialmente o calendário de eventos de Curitiba.

Em 2025, nomes como Jards Macalé e Lenine participaram da programação. Já a terceira edição, realizada em 8 de agosto de 2026, reuniu Davi Moraes convidando Armandinho Macêdo, Tulipa Ruiz e Fernanda Abreu, entre outros artistas.

“Cada edição tem uma emoção diferente. Estar ali como filha, mas também como presidente do Instituto Paulo Leminski e diretora-geral do Festival, reúne carinho, orgulho e uma enorme responsabilidade com esse legado”, destaca Áurea.

E o Festival Paulo Leminski 2027?

Para quem já está pensando na próxima edição, Áurea adianta que ainda não há detalhes definidos, mas confirma a intenção de dar continuidade ao projeto.

“Ainda estamos cheios de ideias e planos, mas nada definido. O que posso dizer é que o Festival nasceu para continuar. Queremos que ele cresça sem perder sua essência, ampliando o diálogo entre poesia, música e outras linguagens, sempre reunindo artistas consagrados e novos nomes.”

A continuidade também passa pela parceria com empresas e instituições. A terceira edição teve patrocínio do Ministério da Cultura, Cartões BB e Itaipu Binacional.

“Cultura se faz com a união de artistas, produtores, instituições, poder público, empresas e público. Esse apoio permite que projetos como o Festival tenham continuidade, ampliem o acesso à cultura e possibilitem a circulação de artistas e ideias”, afirma.

Para Áurea, manter o Festival significa também garantir que a produção de Leminski continue chegando a quem ainda não teve contato com ela.

“Apoiar a cultura é também contribuir para construir memória e deixar um legado que vai muito além de um único evento.”

Por Augusto Tortato
30/09/2026 10h22