O prefeito de Curitiba Rafael Greca, liberou a reabertura do comércio na capital paranaense a partir desta sexta-feira (17). Em contra partida, muitos empresários reagiram contra esta decisão e lançaram uma carta aberta, confira na íntegra:

Carta aberta de empresários curitibanos contra a reabertura precoce dos comércios na cidade

Nós, proprietários de bares, restaurantes, cafeterias e casas noturnas de Curitiba, solicitamos por meio desta carta que autoridades municipais e estaduais apresentem medidas mais enérgicas, essenciais e preventivas para mitigar os efeitos da Covid-19, bem como ações em relação à sobrevivência do setor da gastronomia curitibana durante e após a pandemia.

Estamos fechados. E permaneceremos enquanto for necessário. No entanto, pronunciamentos conflitantes entre governos, prefeitura e sindicatos patronais têm dificultado a clareza desta decisão, tornando-a cada dia mais difícil. Do lado de governo e prefeitura, cada instituição se pronuncia de uma forma e dá um entendimento de medidas. Do lado dos sindicatos patronais, alguns pedem a reabertura e outros, o fechamento.

A decisão de reabertura do comércio ignora, sob ponto de vista técnico, a proteção da população, dando vez à influência de forças econômicas e políticas, quando a prioridade deveria ser unicamente a saúde pública.

O iminente avanço do Coronavírus no país, a projeção pessimista para o número de mortes e o descaso com a importância do isolamento social provam a necessidade disso. E, quando aqueles que nos representam em qualquer esfera dão de ombros, cabe à sociedade civil agir.

Aos fatos:

  • 16 de março: o Governador do Paraná, por meio de decreto 4.318/20, determinou o fechamento de comércios em todo o estado;
  • 23 de março: o Governador mantém recomendação de que comércio não abra suas portas;
  • 26 de março: o Governo mantém ordem de isolamento doméstico;
  • 27 de março: o Prefeito de Curitiba manifesta publicamente a necessidade do isolamento social para evitar mortes;
  • 7 de abril: a Prefeitura de Curitiba e Governo do Estado decidem manter o isolamento social como recomendação prioritária;
  • 9 de abril: o Ministério Público suspende convite de ACP para reabertura dos comércios;
  • 15 de abril: o Prefeito de Curitiba nega que Prefeitura sugeriu fechamento do comércio e cita que setor atuou por “modismo”.

Ignorando o histórico recente e recomendações da OMS, a Prefeitura de Curitiba, a Associação Comercial do Paraná e o SindiAbrabar pretendem reabrir os comércios na próxima sexta-feira, 17 de abril. Sem nenhuma evidência de que o distanciamento social deva ser abandonado, o que pauta a decisão de reabrir comércios?

Diferentemente do que os órgãos acima citados indicam para a próxima sexta-feira, seguiremos fechados. Fechados contra os “modismos” das decisões públicas permeadas por lobbies empresariais. Fechados com a vida de milhares de pessoas. E só reabriremos quando os 6 itens para “flexibilização da quarentena”, recomendados pela OMS, forem minimamente atendidos pelo Município.

Ressaltamos que esta decisão conjunta é permeada por dados – e que especulações, opiniões pessoais e teorias negacionistas não irão sobrepor estudos científicos. A reabertura precoce e a consequente elevação de contágios resultarão em um novo fechamento de portas. E novos prejuízos serão contabilizados: perda do poder de negociação com fornecedores e/ou locatários, desgaste nas relações de trabalho já estabelecidas, problemas com aquisição e validade de estoque, entre outros.

Conscientes de que perdas financeiras acontecerão, mas que vidas jamais podem ser tratadas como moeda de negócio, seguiremos fechados – também em consideração a todo o esforço realizado até aqui para que a curva de contágio seguisse minimamente controlada.

Além de nos mantermos fiéis às recomendações do Ministério da Saúde e da OMS, requisitamos às entidades competentes que assumam sua responsabilidade neste momento e nos posicionem sobre pautas e medidas que, de fato, fortaleçam os comerciantes do Estado, sem expor a vida de milhares de pessoas ou deixar negócios por sua própria conta e risco em um momento tão delicado. Entre elas:

  • Abertura de discussão com a comunidade com participação deste grupo que vos escreve;
  • Apresentação de medidas econômicas em prol do setor de Bares e Restaurantes de Curitiba enquanto a Covid-19 estiver, pelo menos, na sua fase aguda;
  • Atuação e/ou regulação junto aos APPs de delivery que monopolizam o mercado e retiram 20% de margem na operação, o que, em grande parte, inviabiliza o negócio, favorecendo a atuação de inúmeros negócios que atuam nas plataformas sem se enquadrar em regimes tributários – canibalizando o mercado formal –, além de medidas claras para a segurança dos entregadores;
  • Proposta para renegociação das contas de água e luz;
  • Apoio e agilidade na disponibilização de crédito via CEF e Fomento PR;
  • Proposta não apenas de postergação de pagamentos de impostos, mas redução deles;
  • Coerência nas orientações do poder público nos âmbitos estadual e municipal. Se a principal estratégia de contenção da Covid-19 adotada no Brasil é o distanciamento social, é fundamental que salões de restaurantes e bares permaneçam fechados e que sejamos orientados semanalmente sobre os próximos passos;
  • Medidas de conscientização junto aos locadores de pontos comerciais sobre a necessidade de renegociação e carência de aluguéis.

Curitiba, 16 de abril de 2020.

Andrew Guilherme Pereira dos Santos – Ananã Coquetéis

Karin Louise Kaudy – Ananã Coquetéis

Thiago Gabardo – Polpettas – Pizzas e Cozinha Italiana

Leonardo Z. Gabardo – Polpettas – Pizzas e Cozinha Italiana

Janaina Santos – Cosmos G/astrobar

Ricardo Saad – Cosmos G/astrobar

Bruno Milek – Jazz Café

Ênio Guilherme Motta – Jazz Café

Lívia Farah – A Caiçara

Fredy Ferreira – A Caiçara

Flávia Pizzani Prieto – Paradis Club

Edson Luis de Oliveira – Paradis Club

Isabelle Todt – Paradis Club

Luiz Melo – Supernova Coffee

Renata Schaitza – Mornings

Daphne Kondo – Yada Yada Yada e Nada Nada Nada

Alyssa Aquino – Yada Yada Yada e Nada Nada Nada

Daniele Giovanelli Jorge – Desafinado Café

Rafael Andrade Suzuki – Manifesto Café

Fabiola Jungles – Flama Torras Especiais

Daniel Mocellin – Whatafuck e Pizzaria da Mathilda

Ana Priscila de Mello Raduy – James Bar

Luciano Franco Geraldo – James Bar

Patricia Bandeira – Botanique Cafe Bar e Plantas

Juliana Girardi – Botanique Café Bar e Plantas

Patricia Belz – Botanique Café Bar e Plantas

Ieda Godoy – Mãe e Mafalda

Pedro Vieira – Ginger Bar

Milena Costa de Souza – Ginger Bar

José Carlos Gomes dos Santos – VU e PULP

Marcio Reineken – VU e PULP

Amanda Kosinski – Central do Abacaxi

Keiji Mitsunari – Izakaya Hyotan

Caroline Ferreira – Veg Veg

Karla Keiko – Oidē

Willian Massami Igi – Oidē

Maria Fernanda Marcuz de Souza Campos – Viva la vegan

Renan Toledo Sandalo – Viva la Vegan

Marcela Dudalski – Paprica Vegan

Carolina Ferreira – Veg e Veg

Ermelino Veríssimo – Sem Culpa

Maurício Kuwer – Sem Culpa