Curitibanismo: a marca que nasce da valorização de Curitiba e quer se transformar em movimento

foto: Divulgação
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Há quem teima em dizer que Curitiba não tem identidade cultural. Muito pelo contrário. A cena nunca foi simples. Pelo contrário — sempre foi grande. Rica, diversa, complexa. Mas por muito tempo, subestimada até por quem vive dentro dela. Foi exatamente dessa percepção que nasceu o Curitibanismo — uma marca que busca nomear, traduzir e impulsionar algo que já está em movimento: a criação cultural curitibana.

Idealizada por Leandro Karam e Felipe Müller, sócios da produtora Milk Films, a marca surgiu a partir da convivência intensa com músicos, artistas, produtores e pensadores da cidade. Após gravar e documentar parte dessa efervescência cultural, os dois sentiram que era hora de batizar esse sentimento coletivo de pertencimento e talento com uma identidade própria. “Curitibanismo é quando a arte tem sotaque”, define Felipe. Já para Leandro, “É dar nome a algo que sempre foi forte, mas que nunca teve marketing”.

Muito além do frio e do pinhão

Curitibanismo é mais do que uma marca forte. É um chamado.

É arquitetura com memória — como a de Jaime Lerner, Manoel Coelho ou Rubens Meister, que assina o Teatro Guaíra, palco de tantos movimentos que marcaram a história da cidade. É teatro que atravessa gerações, com nomes como Leandro Knopfholz, idealizador do Festival de Teatro de Curitiba, um dos maiores da América Latina, e a força de grupos e artistas como Regina Vogt.

É também stand-up comedy que ganhou o Brasil, com nomes como Diogo Portugal, precursor do gênero no país, e coletivos que misturam humor e identidade local, como o irreverente Tesão Piá, que transformou o “curitibanês” em linguagem cômica e afetiva. É literatura afiada e introspectiva, como a de Dalton Trevisan, Paulo Leminski, Alice Ruiz, Cristina Judar, Luci Collin, Miguel Sanches Neto, entre tantos outros que traduzem a alma curitibana em verso e prosa.

É cinema feito com coragem e talento, longas que marcaram época, como Estômago, Mauá – O imperador e o rei, Cores, Não Devore Meu Coração e produções da Cinemateca de Curitiba.

É dança que ocupa espaços urbanos, mas também está em grandes palcos como o da Companhia de Dança do Teatro Guaíra. É moda com design próprio, urbana, sóbria, autoral — como a produção da Casa de Criadores Curitiba, estilistas como Priscila Dara e coletivos que resistem com estética e propósito.

É gastronomia que honra o pinhão, mas também o transforma em alta cozinha, colocando Curitiba no mapa gastronômico do país e do mundo.

É a música das bandas que resistem nos palcos da cidade, dos porões ao MON, dos pubs aos teatros. De ícones locais como Blindagem, até movimentos mais recentes como A Banda Mais Bonita da Cidade, que viralizou um clipe gravado em plano-sequência e revelou ao país o potencial lírico da cidade — e uma nova geração de artistas.

É orquestra, coral, rap, música eletrônica, fanfarra e sarau. É o som de quem se reinventa — em todas as linguagens.

Curitibanismo é o reconhecimento de que Curitiba pulsa cultura — mesmo quando prefere o silêncio.

A marca nasce como uma bandeira. Uma forma de permitir que cada artista, criador, arquiteto, chef, comediante, escritor, dançarino, estilista ou músico possa se declarar parte de algo maior. Parte de um território criativo vivo, com identidade e que merece ser reconhecido, respeitado e celebrado.

Do nome ao movimento

Com identidade visual própria, manifesto poético e conteúdos que já circulam pelas redes, o Curitibanismo quer sair do campo das ideias e ocupar também os palcos, murais, roupas, vitrines e redes de Curitiba.

A proposta é clara: fomentar um movimento que valorize o que é nosso — sem esperar reconhecimento de fora. Que revele tanto os grandes nomes quanto os novos talentos. Que inspire colaborações entre diferentes frentes artísticas e culturais. E que sirva como ponto de encontro para quem acredita no poder criativo de Curitiba.

É sobre formar uma rede, gerar pertencimento e fazer com que os curitibanos enxerguem sua própria cidade como centro cultural”, afirma Karam.

E você, é Curitibanista?

Se você acredita que Curitiba merece mais reconhecimento. Se você cria, transforma, inspira ou registra essa cidade. Se você se orgulha do que é feito aqui — Declare-se. Use. Compartilhe. Viva.

Você é Curitibanista. E esse movimento é seu também.

Curitibanismo: uma marca feita pra virar voz. E uma voz feita pra virar movimento.

Por Curitiba Cult
05/11/2016 10h23