Crítica: The Weeknd é só um dos pontos fracos de “Hurry Up Tomorrow – Além dos Holofotes”

Filme Hurry Up Tomorrow. Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação

Abel Tesfaye anda na corda bamba se equilibrando entre abandonar a persona The Weeknd e se apoiar na fama para seus novos projetos. Desde 2023, quando sua voz falhou em um show ao vivo, o cantor vem falando mais sobre pausar a carreira musical. Mas não para de lançar músicas – agora, com um filme que complementa o trabalho. “Hurry Up Tomorrow – Além dos Holofotes” chega aos cinemas brasileiros em 15 de maio.

Metalinguagem

The Weeknd, que vem tentando separar esse personagem musical do nome Abel Tesfaye, lança mais um comentário metalinguístico sobre a indústria musical e a si mesmo. No filme, Abel interpreta uma versão fictícia de si mesmo. Ele tem problemas com drogas, com a ex-namorada e com o empresário (Barry Keoghan), além de estar com a garganta cansada de tantos shows. Ao invés de parar, é estimulado a continuar em frente – em detrimento da saúde mental.

Enquanto isso, é apresentada a personagem de Jenna Ortega, Anima (uma tentativa de trazer seriedade e referência ao roteiro). Ela abre o filme queimando uma casa e andando misteriosamente até o show do The Weeknd. Na dor, os dois personagens se encontram. A história traz referências das letras do disco mais recente, “Hurry Up Tomorrow”.

Roteiro

O roteiro é assinado por Abel Tesfaye, Reza Fahim e Trey Edward Shults, o diretor. A história tenta colar diversos temas discutidos no disco, como a crítica ao mercado da música e o lado obscuro da fama. Diferente da criticada série de Abel, “The Idol”, aqui há um lado mais pessoal, no qual ele parece querer revelar mais sobre si mesmo. O problema é a profundidade rasa do projeto. O personagem tenta se passar como vítima enquanto é abusivo com a ex-namorada, não se mostra vulnerável e o roteiro tenta mostrar como isso é prejudicial. Mas cada discussão dessas é abandonada ao longo da trama.

O surgimento da fã coloca o filme em uma espiral autoindulgente e egóica, com explicações sobre as próprias músicas. Abel tenta mostrar que seu trabalho é mais profundo do que realmente é, enquanto assume que não consegue se colocar num lugar de vulnerabilidade. Enquanto isso, a atuação fraca do protagonista domina a tela e ameniza as cenas, tornando-as monotônicas. O roteiro confunde mistério com deixar pontas soltas, e é visível que tenta parecer mais interessante e profundo do que realmente é.

Trilha

Em contrapartida, a trilha sonora é ótima. As canções de The Weeknd são muito boas e funcionam bem durante a trama. Como cantor, ele é bom e mostra seu talento. Para a construção de histórias e atuação, a situação é outra. As músicas, em especial do novo álbum, ganham maior destaque, mas outras que marcaram a carreira também estão presentes.

Porém, as cenas não acompanham essa energia. O diretor (que também já dirigiu clipes) tenta fugir dessa linguagem, nem sempre sendo possível. “Hurry Up Tomorrow” não é um grande clipe, só que as melhores cenas são justamente as de show. Entre um roteiro desconexo, uma atuação fraca e cenas tediosas, o filme entrega uma propaganda morna do mais recente – e talvez, último – disco do The Weeknd.

Por Brunow Camman
14/05/2025 16h11

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