Crítica: “Ritas” é viagem sensorial na carreira de Rita Lee

Cena do Filme Documentário Ritas - Rita Lee. Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação

Depois de duas autobiografias, entre outros tantos livros, espetáculos e especiais, o que mais apresentar sobre Rita Lee? O documentário “Ritas” consegue encontrar um caminho interessante para celebrar a cantora de forma humana e particular. A própria artista conversa com a câmera e mostra suas várias facetas de forma íntima. O documentário estreia no Brasil no dia em que a cantora escolheu para seu aniversário, no ano passado consagrado em São Paulo (SP) como Dia de Rita Lee: 22 de maio.

O documentário, com direção de Oswaldo Santana, segue o processo de “arqueologia pessoal”. Rita mostra suas artes mais íntimas, como desenhos, e até seu altar em casa. Bonequinhos de David Bowie se misturam com relíquias familiares. A artista como compositora, instrumentista, cantora, avó, esposa, escritora e até musa vai se revelando.

Pessoal

Ao evitar novas entrevistas, o documentário foca inteiramente na voz de Rita, com algumas inserções de arquivo. O destaque são cenas da Rita atuando, criando diversas personagens divertidas, comprovando algo que ela adorava: o deboche. Rita se divertia em todas as fases e ramos artísticos, o que a destacou não só na música como na cultura pop brasileira.

O filme aproveita bem cenas de arquivo e deixa algumas apresentações quase completas de músicas. Entre elas, Rita falando de si, com sua voz cativante e o mesmo fervor da juventude. “Ritas” consegue ainda inserir as visões de mundo da cantora de forma leve e pessoal, celebrando não só a carreira como a pessoa admirável que foi.

Artistas

Um grande trunfo do longa é conseguir mostrar as trocas artísticas de Rita Lee com outros grandes nomes. Músicos como Caetano Veloso incluíram o nome dela em suas músicas. Rita cantou com artistas de diferentes estilos, de Maria Bethânia e Gilberto Gil a João Gilberto, sendo admirada por muitos. E “Ritas” nos deixa saborear esses encontros, sem se apressar.

A edição é certeira nos tempos e ainda inclui sons adicionais, criando um panorama sensorial com ilustrações entre cenas. Diversas fotos de arquivo são alinhadas a partir da paisagem sonora e visual. Rita Lee é celebrada com muita arte e irreverência, como ela desejava, em um grande – ainda que sucinto, tem menos de 1h30 – documentário.

Por Brunow Camman
19/05/2025 09h00

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