Crítica: legado boêmio em “Noel Rosa – Um Espírito Circulante”

Documentário Noel Rosa Um Espírito Circulante. Foto: Boulevard Filmes/Vitrine Filmes.
Foto: Boulevard Filmes/Vitrine Filmes

A influência de Noel Rosa no boemia carioca ao longo das décadas é uma condutora no novo documentário de Joana Nin. “Noel Rosa – Um Espírito Circulanteestreia nesta quinta-feira (24/04) no Brasil e retrata a vida breve e intensa de Noel Rosa, mas discute principalmente seu legado. Em pouco mais de uma hora, relatos e cenas cotidianas constroem uma narrativa documental leve.

O filme começa com a localização: Vila Isabel. A escolha não é ocasional. Ali, Noel Rosa é celebrado até hoje. Nome de rua, nome de farmácia, estátua. O bairro carioca entrou para o imaginário nas letras do artista, e continua vivo ali. Toda a influência de Noel na região é celebrada, em imagens atuais e resgatadas de décadas atrás. O clima boêmio vai sendo revelado a partir das canções e realocado nos dias atuais. Faz sentido entender o quanto o local inspirou o músico.

Entrevistas

Conversas com Mart’nália, Dori Caymmi, Nilze Carvalho e diversos outros vão sendo apresentadas no documentário com canções. Os músicos reinterpretam criações de Noel ou tocam músicas originais e depois falam sobre suas influências. Algumas entrevistas com moradores da Vila Isabel também resgatam a importância dele, não só por ter eternizado um clima especial no bairro, mas pela criação artística e respeito à comunidade. Os entrevistados são apresentados com nome e data de nascimento, o que ajuda a reforçar a ideia de que Noel Rosa ultrapassa gerações de admiradores.

Uma entrevistada reforça a ideia de que há dois “Noel Rosa”: um visto pelos acadêmicos eruditos e outro da comunidade. O documentário traz esse tema, com artistas falando sobre como ele construía silabicamente canções, enquanto outros resgatam a vivência dele em Vila Isabel e o impacto no local. “Noel Rosa – Um Espírito Circulante” resgata ainda entrevistas de pessoas que conviveram com ele. Aracy de Almeida é uma delas, revelando mais como ele era. Entre o mito e algumas lembranças, vai se construindo esse Noel.

26 anos

Noel Rosa nasceu em 1910 e faleceu em 1937, vivendo apenas 26 anos. Ainda assim, compôs mais de 200 canções, como “Com Que Roupa?”, “Gago Apaixonado” e “Feitiço da Vila”. Os entrevistados demonstram o impacto dessas obras feitas em tão pouco tempo e o quanto influenciaram o samba. A Unidos de Vila Isabel até o homenageou em 2010. Ainda que Dori Caymmi mostre que catalogar Noel como sambista é reduzir seu impacto.

Mas a diretora acredita que, fora da Vila Isabel, o nome não tem o mesmo peso que deveria ter. “Eu acho curioso que Noel Rosa não tenha uma cinebiografia documental em longa-metragem. Um compositor tão importante para a música brasileira, não tem”, contou Joana Nin. O filme “procura discutir o eco, a ausência e a memória. Mas tudo isso a partir da obra de Noel Rosa.

Um grande trunfo do filme é demonstrar pessoas comuns cantando ao lado da estátua do artista. “Noel Rosa – Um Espírito Circulante” consegue comprovar seu ponto: Noel Rosa continua vivo na boemia carioca e influenciando novas gerações.

Por Brunow Camman
24/04/2025 09h00

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