Crítica: bonito e repetitivo, “O Esquema Fenício” estreia nesta quinta (29)

O Esquema Fenício de Wes Anderson. Foto: Universal Pictures/Divulgação.
Foto: Universal Pictures/Divulgação

Quando Wes Anderson lança um novo filme, uma coisa é certa: será visualmente deslumbrante. O que mais podemos esperar? Aí, é outra história. Aliás, história é algo que fica em segundo plano em “O Esquema Fenício”, seu novo longa-metragem. O filme estreia no Brasil nesta quinta-feira (29/05).

Algo que brilha aqui mais do que as direções de arte e de fotografia é o elenco. Benicio Del Toro comanda a narrativa que traz nomes como Willem Dafoe, Scarlett Johansson, Tom Hanks, Bryan Cranston, Mathieu Amalric, Jeffrey Wright, Benedict Cumberbatch e Bill Murray. Alguns, porém, aparecem tão pouco que nem se pode aproveitar o tempo de tela. Se você piscar, mal vai perceber a presença de Charlotte Gainsbourg.

Roteiro

O elenco estelar entrega grandes performances até em pouco tempo. Hanks e Cranston criam uma dinâmica divertida da qual se espera ver novamente. Uma das várias promessas que “O Esquema Fenício” faz sem entregar. Na trama, Zsa-Zsa Korda, um homem milionário e inescrupuloso (Benicio Del Toro, sendo brilhante mesmo com um roteiro aquém de seu talento) quer montar mais um esquema internacional e imoral. Depois de sofrer mais uma tentativa de assassinato e ter uma visão do céu, decide trazer sua filha, prestes a virar freira, para assumir como herdeira de seus empreendimentos mirabolantes.

A dinâmica dos dois contrasta o lado quase maligno de Zsa-Zsa e a busca por decência e humildade da filha Liesl (Mia Threapleton). Um vai contaminando o outro ao longo da jornada, que cruza diferentes territórios imaginários passando por personagens intrigantes. O protagonista vai criando esquemas elaborados e formas de passar a perna em um para agradar o próximo, mas vai se amaciando com a filha. Enquanto isso, Liesl tenta convencer o pai de que trabalho escravo é errado, contudo, começa a aproveitar um pouco das mordomias que a criminalidade do pai garantiu.

Moral

A trama que remete a espionagem e livros pulp caminha por essa dicotomia da moral. Visualmente, é lindo e consegue criar uma estética própria – o que já esperamos de um diretor que vem há décadas fazendo um cinema de autor. Anderson tenta introduzir mais ação do que em seus filmes anteriores, mas caminhando para a comédia. Explosões e até mortes trazem um tom engraçado. Alguns diálogos também conseguem divertir. Só que, quando se pensa na narrativa, pouco é aprofundado. A discussão sobre moral é esquecida no meio de cortes de câmera detalhados e sequências bem construídas.

Na casa do magnata, obras de arte são carregadas de um lado para outro, como se Anderson quisesse dizer que tem mais referências do que a si mesmo. Enquanto se preocupa em mostrar que é capaz de mostrar novidades, o diretor acaba pecando na história. Seus personagens são divertidos, mas o desenvolvimento deles é fraco e superficial. Mal aproveitados, não conseguem avançar numa trama memorável. “O Esquema Fenício” até diverte em alguns momentos, porém termina longo e esquecível. O diretor cai na própria armadilha de apresentar mais do mesmo. O que não é ruim. Também não é bom. É Wes Anderson.

Por Brunow Camman
26/05/2025 09h00

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