Crítica: “A Mais Preciosa das Cargas” carrega beleza e simplicidade

A Mais Preciosa das Cargas. Imagem: Divulgação.

A animação “A Mais Preciosa das Cargas” começa negando o potencial de fábula – mas caminha por trilhas muito parecidas. O filme dirigido e roteirizado por Michel Hazanavicius chega aos cinemas brasileiros no dia 17 de abril, trazendo um olhar peculiar sobre o preconceito durante a Segunda Guerra Mundial e a potência da bondade das pessoas comuns.

Fugindo de qualquer mágica, a animação traz quase um milagre. Um lenhador e suas esposa vivem em um vilarejo quase esquecido em meio à floresta e ao gelo. O trem cujo trajeto passa na região simboliza uma vaga esperança de dias melhores para a mulher – que não demonstra conhecer que as cargas daquele veículo são judeus sendo levados aos campos de concentração. Um dia, ela ouve um choro de bebê, e sente que resgatar a criança é sua chance de ser mãe.

A história segue mostrando o preconceito do marido em relação à criança, que ele sabe ser do povo “sem coração”. A direção evita palavras muito diretas sobre a situação política da época ou mesmo sobre raças e religiões. Mas tudo fica bem claro mesmo sem termos diretos. A principal narrativa da primeira parte é sobre o casal, com a esposa tentando demonstrar ao marido que os preconceitos enraizados não se sustentam frente à necessidade da vida.

Técnica

A parte técnica valoriza de forma bonita e poética as sombras sobre a casa. Cenas até escuras demais, por vezes, destacam a opressão do momento, além do branco extremo do inverno, em tons de azul gélido. A esperança que a menina traz reflete simbolicamente na primavera trazendo verde para o cenário na segunda parte. A animação que celebra cores e imagens ao invés de uma fluidez entre quadros ganha um toque artístico e autoral interessante.

As cenas que revelam a origem da criança vêm como um choque no meio de partes mais singelas da trama. O horror do Holocausto está sempre à espreita. A forma como a história se desenrola para um final é apressado e anticlimático. Com menos de 1h30 de duração, não consegue amarrar bem as narrativas que constrói. É emocional e bonito, mas perde o potencial de criar uma fábula crível e marcante. Mas, de forma muito simples, mostra a importância de se abrir para a bondade.

Por Brunow Camman
16/04/2025 09h00

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