Sobre a crítica: Devido a grande repercussão do caráter assustador de A Bruxa, nossos críticos – Júlia Trindade de Araújo e Rafael Alessandro – não tiveram coragem de conferir o filme sozinhos. Por isso, essa crítica é uma colaboração deles.

De início, uma ótima jogada de marketing da produção já criou um certo frenesi em relação ao longa: Stephen King, um dos principais nomes do terror contemporâneo, declarou em seu twitter ter se assustado muito com o filme. Outra promoção espontânea veio do prêmio de melhor direção que A Bruxa ganhou no Festival Sundance do ano passado. Um marco interessante para o diretor estreante Robert Eggers, que antes só tinha trabalhado com alguns curtas e com design de produção.

A história se passa no ano de 1630, na Nova Inglaterra (EUA), e acompanha uma família que foi expulsa da colônia e é obrigada a explorar o desconhecido para sobreviver em uma fazenda ao lado de uma floresta. A família, formada por William, Katherine e seus cinco filhos, vive de acordo com os ensinamentos do cristianismo de forma rigorosa. Quando o filho mais novo da família desaparece e a colheita morre, o comportamento da família muda drasticamente.

É interessante acompanhar a evolução das relações familiares ao longo do filme. Os personagens, que iniciam sua jornada unidos, vão se distanciando cada vez enquanto nos aprofundarmos em suas personalidades. E por não se tratar de um filme com muita ação, o diretor propõe essa deixa aos espectadores, que têm tempo e muito respiro para analisar seus personagens, que são o ponto forte da narrativa.

O tema do longa em si não é novo. Muitas outras obras já abordaram o mistério em volta desse personagem intrigante que é a bruxa. A característica realmente marcante desse filme é a escolha de narrativa, que dispensa as cenas de susto ou criaturas bizarras. Tudo no filme mexe com o imaginário e a expectativa de quem assiste. Planos longos e fixos, cores pálidas, pouca iluminação, uma trilha sonora intensa e muito simbolismo.

Isso mesmo: se você gosta de filmes de terror que vão te fazer pular da cadeira, talvez saia da sala de cinema um pouco desapontado. O filme trabalha constantemente em aterrorizar o psicológico. Por isso, ao mesmo tempo que entendo o motivo por algumas pessoas não gostarem do filme, “A Bruxa” faz parte da boa safra de filmes de terror que foram lançados recentemente que tentam escapar do clichê de filme de terror que apela para monstros e sustos.

A Bruxa chega aos cinemas na próxima quinta-feira (03).