“Chegou a nossa vez!”: Gloria celebra 22 anos de história com nostalgia e o sonho de finalmente tocar na Pedreira

foto: Divulgação
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Curitiba tem um gostinho especial para o Gloria. A banda, representante brasileira do metalcore fundada em São Paulo por Mi Vieira há 22 anos, se identifica com a forte cena de rock da capital paranaense. “Curitiba é o lugar que eu mais toquei do Brasil”, diz ele, em entrevista exclusiva ao Curitiba Cult, prestes a realizar um dos seus maiores sonhos: tocar na Pedreira Paulo Leminski.

O quarteto, hoje composto por Mi ao lado de Peres Kenji, Vini Rodrigues e Leandro Ferreira, integra o line-up da I Wanna Be Tour, uma grande celebração da cena emo que desembarca em terras curitibanas no sábado, 23 de agosto, com produção da 30e e com nomes como Fall Out Boy, Good Charlotte, Yellowcard, The Maine, Fresno, The Veronicas, Forfun, Story of the Year, e Fake Number.

Eu cresci vendo bandas tocarem lá, acho que vi o AC/DC. Agora vou estar ali, em cima do palco, olhando a Pedreira e voltando no tempo”, confessa. A expectativa de dividir o palco com grandes nomes do cenário mundial é enorme. Mi destaca o Yellowcard, de quem é fã; Neck Deep; e Story of the Year – com quem o Gloria guarda um afeto especial, já que abriram um show da banda em 2007.

Mi brinca que chegou a sua vez de curtir uma grande festa de nostalgia – um reflexo de que ele também está mais velho, comenta entre risos. Mas, em meio a um line-up que mistura bandas do mesmo cenário, mas com sonoridades tão distintas, é possível perceber o que fez do Gloria uma banda que atravessou gerações: um público fiel, estrutura sólida de fãs e, ao mesmo tempo, novos ouvintes chegando, não só pelos hits do passado, mas também pelos lançamentos mais recentes.

Para Mi, o que define a essência da banda é a harmonia entre peso e melodia, entre o berro e a música. “A gente sempre inovou. Cada disco teve a essência da banda, mas também trazia coisas novas, algo eletrônico, algo mais abrasileirado… A gente sempre pensou o máximo pra não perder isso”, diz. Compor hoje em dia é um desafio, mas manter a identidade é o que, segundo ele, faz tudo dar certo. “Você imagina quantas coisas a gente fez até agora, até chegar aqui… quantas músicas. Não é simples fazer algo novo. Mas a gente sabe pra onde vai”, conclui.

Essas mudanças também são sentidas dentro da própria banda. Com a entrada de integrantes novos, como Vini, que chegou na banda em 2020, o Gloria precisou encontrar formas de se reinventar sem perder a essência. “Quando novas pessoas chegam, a gente também tem que aprender a lidar com isso. O cara vai trazer uma influência que não tem nada a ver com a gente, e esse cara vai ter que entender também: o Gloria é o Gloria”, conta. Mas Mi reconhece que essa troca também ensina. “A gente tem um empenho nosso de entender uma coisa nova. E assim a gente também foi indo para um novo caminho, seja em termos de melodia, em termos de pensamento”, diz.

Essas trocas renderam novos lançamentos nos últimos anos, e ainda devem render mais! Três faixas inéditas estão previstas para sair em 2025. Para o próximo ano, ficam os planos de um novo álbum completo, algo que “não fazem há muito tempo” e que deve chegar até o primeiro semestre de 2026.

Passado e futuro 

No meio da nostalgia, do reencontro com o passado e da reinvenção, Mi faz questão de reconhecer o quanto tudo isso tem peso. “Às vezes eu tenho momentos de fraqueza, de me sentir perdido, e eu falo: ‘puxa, será que vai dar certo?’. Mas no outro dia amanhece um novo sol, e às vezes a gente tem mais fé nas coisas”, conta. Ele acredita que o que sustenta uma banda ao longo do tempo é isso: resiliência, renovação e a capacidade de olhar para si mesmo sem perder o brilho. “A gente tem que se controlar e ver que os momentos ruins passam”, garante.

Quando perguntado sobre o que diria para o Mi de 22 anos atrás, a resposta vem de forma honesta. “Eu ia falar pra mim que eu teria que ter mais sabedoria nos caminhos que escolho. Ser menos ansioso, levar as coisas com mais seriedade. Errei muito na vida. Acredito que muita coisa não aconteceu por causa de erros que eu tive. Mas eu ia falar isso: cabeça no lugar sempre, tenha mais foco. Você vai perder seu foco muitas vezes. Mas não perca a fé”, conclui.

Será essa a chave para uma banda tão duradoura? O Gloria mostra que não apenas sobreviveu ao tempo, mas também evoluiu com ele. Agora, 22 anos depois, a banda sobe ao palco da Pedreira para celebrar a era emo com o mesmo brilho no olhar de quem começou lá atrás. Sim, chegou a sua vez!

SERVIÇO – I Wanna Be Tour Curitiba

Quando: 23 de agosto de 2025 (sábado)

Onde: Pedreira Paulo Leminski (Rua João Gava, 970)

Horário: abertura dos portões às 10h

Quanto: entre R$ 277,50 (meia-entrada) a R$ 1.395 (inteira)

Ingressos: Eventim

Classificação Etária: Entrada e permanência de crianças/adolescentes de 5 a 15 anos de idade, acompanhados dos pais ou responsáveis, e de 16 a 17 anos, desacompanhados dos pais ou responsáveis legais.

Produção e realização: 30e

Por Angela Antunes
31/07/2025 16h18

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