Eu ainda estou aqui, sempre estarei e serei sempre eu, perdido em mil versões irreais de mim. Versões que criei para me adaptar aos outros, ao mundo, para sentir que a vida pode ser mais fácil, mais justa.

Quanto mais versões criei de mim, mais confuso fiquei e mais afastado da minha essência. Essa essência que contém meus dons, minha paixão, minha missão. Acabei não vendo quem sou, qual é minha melhor versão real, e fiquei aqui por trás de todo o caos criado para me adaptar ao que achei que poderia ser o certo, em que a vida se fez, enquanto tentava me proteger do que achava que era perigoso.

Tenta me reconhecer no temporal, me diz quem eu sou realmente nessas tantas situações que vivemos juntos. Me diz como eu reajo, o que você vê em mim. Todos veem tanto potencial, eu preciso de um tempo para me (re)conhecer. Me espera.

Tenta não se acostumar com a minha confusão, com a minha ausência, com o meu silencio. Tenta não me deixar nessa confusão que eu criei. Me ajuda a ver a luz que posso ser e o que eu posso fazer.

Eu volto já. Vou ali me encontrar. Me espera.

Eu que tanto me perdi, querendo ser outra pessoa, não sabendo quem eu deveria ser, em sãs desilusões de ideais de mim. Queria ser tantos, poderia ser vários, deveria ser muitos. Mas pouco tentei. Reclamei, chorei, me fechei mais do que me esforcei para me tornar quem eu nasci para ser.

Não me esqueci de quem eu sou. Por mais que eu tenha mudado, que eu tenha crescido, que eu tenha me fechado para o mundo. Você sempre esteve por perto para me mostrar quem sou. Para refletir meus erros e acertos. Para comemorar minhas vitórias e enxugar minhas lágrimas. E o quanto perdoar você por sempre ter me mostrado minhas verdades difíceis de ver.  Eu sei o quanto eu devo à você.

Fique comigo mesmo quando eu me descuido. Mesmo quando quero permanecer são, mas me desloco.

Mesmo quando me deslumbro.

Perco o foco, perco o chão. E perco o ar.

Me descontrolo, me desespero. Então logo me acalmo quando me reconheço em teu olhar que é o frio pra me encontrar de volta para mim, para nós.

Tenta me reconhecer no temporal, me espera no temporal comum de mim. Não vai durar para sempre, apenas te peço: me espera, mas tenta não se acostumar, pois eu volto já. Me espera, porque eu ainda estou aqui…

 

*Crônica de “Me espera”, nova música da Sandy e Tiago Iorc.