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Chegamos ao Live Curitiba. Eu e meu melhor amigo, minha alma gêmea. Tímidos, reconhecemos o ambiente. Pessoas espalhadas aqui e acolá. Uma sensação de que algo realmente grande iria acontecer dali a pouco. Algo explosivo. Uma nova ordem, uma nova configuração de mundo. Uma vontade de me ajoelhar e rezar. Pessoas dizendo coisas que eu não era capaz de dizer: New Order em Curitiba. Definitivamente, um dos maiores shows do ano.

Após encontrarmos velhos amigos e observarmos pessoas diversas chegando aos poucos, notamos desde crianças a idosos. Apenas a qualidade musical do que estávamos prestes a presenciar é capaz de reunir gerações tão variadas, que passaram por tantos conflitos, que passarão por muitos atritos. Todos artistas em seus palcos, com papéis devidamente roteirizados, seguindo o fluxo de compartilhamento de lágrimas. Lágrimas de alegria.

New Order em Curitiba | Crédito: Fabiano Guma

New Order em Curitiba | Crédito: Fabiano Guma

Você acha que isso acontece o tempo todo?

É incrível que, mesmo no turbilhão social em que nos encontramos, todos estivessem tão unidos com Bernard Sumner, Stephen Morris, Phil Cunningham, Tom Chapman e… Bem, uma das donas do espetáculo: Gillian Gilbert. De todos os integrantes, ela é quem, com sua pose aristocrática, roubava olhares. Não precisava fazer firula alguma para proporcionar um espetáculo à parte (não que a banda tenha feito firula alguma; foram todos impecáveis).

Extasiada, a plateia foi hipnotizada pelas imagens projetadas no telão. Não sabia direito para onde olhar. Não sabia o que sentir. Era, simplesmente, levada pela energia que tomou conta do local. A sincronia dos vídeos com a música ao vivo causava incredulidade em toda a perfeição lapidada por quase quatro décadas de carreira.

Crédito: Fernando Guma

Crédito: Fabiano Guma

Fomos, todos, desaparecendo em unidade. Décadas se passaram diante de nossos olhos. Encontramos a fé verdadeira. Nosso verdadeiro destino era estar ali, naquele momento, com aquelas pessoas, respirando o mesmo ar.

Depois de muita tentação, um último beijo foi dado. A atmosfera criada foi se apagando, voltando ao normal. A desordem da subcultura foi, enfim, revelada. E como é lindo o caos musical.

E a segunda-feira chegou, impassiva. Ainda que convencional, renovada. O amor pode nos destruir de novo, mas ele renasce. Sempre renasce.

Joy Division forever. Nova Ordem. New Order.

Crédito: Fernando Guma

Crédito: Fabiano Guma