“Moda, para mim, é você se vestir do jeito que você achar melhor, com toda sua excentricidade e individualidade.”

Isabella de Castro de Oliveira

Concordo com a Isabella. Essa foto foi tirada na Feira do Largo da Ordem, um dos melhores lugares, em Curitiba, para completar o seu “eu”. Do popular livro de pintar, neste caso com imagens da capital, até os óculos na barraquinha de antiguidades. Lá tem tudo para todos.

Naquele dia, fui em busca de pessoas diferentes. Mas o que é ser diferente? Talvez, seja vestir a personalidade. Calma, é só uma definição para melhorar o compreendimento do texto, sei que todos são diferentes.

As Barbies expostas podem explicar melhor o que quero dizer. Inúmeras barraquinhas vendem roupas e, quem sabe, a própria boneca. Todas parecem seguir a mesma linha. Os cabelos são loiros e soltos e os vestidos sempre no estilo pacote de bombom, terrível. A única exceção que encontrei foi a barraca com as Barbies para enfeite, em que as bonecas conseguiam parar em pé, tinham vestidos inovadores, cabelos com acessório e cor diferente – se quer colorir, é bom saber que o azul é a aposta da vez.

Foto: Uliane Tatit

Foto: Uliane Tatit

Só fui encontrar a Isabella quando estava indo embora. Ela chamava atenção. Ela era o novo. Ela não era imitação. Ontem, a ideia de individualidade na moda, como disse a Isabella, veio com tudo para cima de mim. Eu tinha colocado na cabeça que iria comprar uma “bolsa de marca”. Iria gastar horrores – coitado do meu salário de estagiária. Sei da qualidade das grifes, mas, infelizmente, também sabia que tinha grande chance de ver diversas pessoas usando a mesma peça. E, se fosse ou não pirataria, eu ainda preferiria o único. Era a minha individualidade.

Fiquei livre de um peso tanto na consciência quanto no bolso. Eu iria escolher pela grife ou pela bolsa? Era status ou dar valor à história da moda? Pode e poderia ser tudo ao mesmo tempo, mas, naquele momento, seria desnecessário. Desnecessário, pois fugiria da minha realidade, do meu gosto, de quem eu sou. Da individualidade, do meu “eu”.

A dica da vez é quase uma homenagem atrasada às mães: “Você não é todo mundo”, a moda é feita de detalhes, não só de nomes, muito menos só de bolsas.