Ou você está envolvido em um relacionamento amoroso, ou não está. Mas o que vemos hoje é muita gente envolvida com o medo de estar em um relacionamento, e a consequência disso é a falta de comprometimento com o outro. Amores líquidos, paixões rápidas e uma incompetência em lidar com os problemas que eventualmente o outro traz para a nossa vida.

Relacionar-se não é fácil. São pessoas diferentes, que tiveram criações diferentes e têm ideias diferentes, mas querem estar juntas e fazer dar certo, formar uma parceria, uma família. Estar em um casamento é confrontar-se com sua própria sombra sem cair na tentação de culpar o outro pelos seus próprios problemas e incômodos. É ter a chance de trabalhar suas debilidades, aprender com as confrontações. É o exercício de desenvolver seu poder pessoal sem se perder no outro. Viver uma vida compartilhada, porém, própria.

Realmente há uma facilidade amorosa atualmente, que dura o tempo necessário para satisfazer uma carência, desejos, curiosidades. As pessoas tornaram-se, e aceitaram ser, descartáveis. Em contrapartida, ainda há casamentos bem estáveis que mostram a força e consistência dos amores legítimos. Pessoas comprometidas, que se responsabilizam com o outro, que suportam as satisfações e os dissabores inerentes a uma relação.

Para os que desejam uma via a dois é preciso ter condições de estar em uma relação. Isso implica em ter uma boa autoestima, autoconfiança, saber o que se quer, estar consciente dos próprios valores e das prioridades, ser capaz de discernir o caráter e os valores do outro, ter capacidade de focar a libido. E, principalmente, saber ser completamente honesto para decidir se o outro é uma pessoa que poderá andar ao seu lado rumo ao sucesso ou alguém que te atrapalha ou que não torce por você. Parceria é fundamental em um casamento, não há espaço para competição, picuinhas e falta de confiança. Os pilares de uma boa relação são admiração, respeito, confiança. Apenas quando se tem esses três sentimentos para com o outro é possível amá-lo.

E como há desencontros nesse percurso, quantas decepções, sofrimento. E quando isso acontece é o momento de decidir se você vai encarar de cabeça erguida ou vai se converter à “esperteza” dos que recolhem o afeto, protegem-se de um outro possível sofrimento e entram para a turma dos que não amam, apenas curtem.

A única forma de se proteger de um sofrimento é a honestidade, aceitar a verdade que sempre aparece e não tomar decisões baseadas no apego, na carência ou em qualquer sentimento que não seja o amor.