Algo muito previsível no cinema atual é que no entra e sai semanal de filmes, pelo menos uma produção voltada ao estilo suspense / terror estará presente.  O problema é que de uns anos para cá pouca coisa de qualidade aparece, já que a maioria vem se apoiando em filmagens found footage (câmera em primeira pessoa) resultando em nenhuma inovação. E é ai que o recente “O Espelho” se destaca, trazendo uma trama diferente e focando mais no suspense do que em um susto atrás do outro. O diretor é o novato Mike Flanagan contando com a ajuda produtiva de Jason Blum, famoso pelas produções de “Atividade Paranormal”, “Sobrenatural” e “Uma Noite de Crime”. Os atores são desconhecidos, o que ajuda no baixo orçamento de 5 milhões de dólares enquanto o lucro até aqui é de 40 milhões de dólares. Talvez ai esteja a razão da quantia de terror nos cinemas: É muito fácil ganhar dinheiro com isso.

A trama de “O Espelho” se desenrola com dois irmãos, Tim e Kaylie, que ainda crianças presenciaram fenômenos estranhos em casa e a morte sem explicação de seus pais. Tim foi preso culpado pela morte de seu pai, e após 11 anos detido uma clinica psiquiátrica ele é solto. Sua irmã vai atrás dele dizendo ter descoberto a razão de tudo o que aconteceu e que o grande culpado é o espelho que eles tinham em casa. Kayllie consegue o tal espelho e leva até sua antiga casa, munida de câmeras e várias engenhocas tecnológicas para provar o que pensa. Mesmo com muitas provas que evidenciam o espelho envolvido em mais de 20 mortes ao decorrer dos anos, seu irmão prefere não acreditar. Tudo por um simples motivo, o espelho é capaz de alterar a realidade e fazer você ver coisas que ele quer e pensar que é verdade.

A partir do momento que eles vão tentar desvendar se o espelho contém poderes sobrenaturais ou não, é que começa a loucura do filme. Toda a seqüência de fatos presentes é misturada com flashbacks do passado, mostrando o poder atual e o acontecido de 11 anos atrás quando o espelho agiu pela primeira vez na família. A produção cria toda uma história que faz até você mesmo não saber mais o que está acontecendo e o que é só alucinação. Existem aparições, acontecem cenas com sangue, sustos e muita tensão. Além de que o final é surpreendente, ou seja, é uma ótima pedida para quem quer fugir destes filmes de terror que estamos acostumados a assistir.

Adalberto Juliatto para o Curitiba Cult