Que me desculpem os amantes do cinza, mas sol é fundamental – seja no inverno ou no verão, é indiscutível o poder que os raios luminosos exercem sobre o meu bem-estar. Pois imaginem qual foi o meu choque ao me dar conta, por meio de um tedioso exame de rotina, de como os meus encontros com o astro-rei são raros: nossas agendas sofrem problemas sérios de incompatibilidade de horários.

Em verdade, nossa relação é quase voyeurística – se anseio vê-lo todos os dias, isso acontece sempre de forma mediada, por detrás do vidro da sacada, da grande janela do trabalho, do carro. Já aquele momento gostoso do toque, raio de sol em contato com a pele, acontece durante aproximadamente cinco minutos por dia. São cinco minutos apressados, tempo em que percorro o trajeto do estacionamento até o escritório. Cinco minutos em que estou preocupada com o horário, com as tarefas do dia, com o café que me mantém minimamente desperta e que ainda não tomei. O sol está lá, sempre presente, mas eu dou pouca ou nenhuma atenção a ele.

Vou me arrepender disto somente quando bater o ponto, já no trabalho, e notar a diferença de temperatura: nesse ambiente, estou sempre sujeita à impessoalidade do ar-condicionado. Além disso, por morar em uma cidade conhecida por seu clima excêntrico, sento em minha mesa com a certeza de que não sentirei mais o toque do sol até o dia seguinte.

Mas, como eu disse, só fui dar importância a tudo isso ao me deparar com a cara assustada da médica, olhando meus exames: “Nossa, como o seu índice de vitamina D está baixinho!”.  Ela me explicou, no entanto, que eu não precisava me preocupar, pois “isso é muito mais comum do que você imagina, praticamente todo mundo tem insuficiência dessa vitamina hoje em dia.”

Ao pesquisar sobre o assunto na internet – e depois de me acalmar, pois os artigos me levavam a crer que eu iria sofrer dos mais diversos males por causa disso, da osteoporose ao câncer –, percebi que vários profissionais citam que é preciso somente 15 minutos de banho de sol por dia para ter bons índices de vitamina D.

Somente 15 minutos. Porém, se minha médica estiver certa, a cidade está cheia dessas pessoas que não ficam nem esse período expostas ao sol. Achei que ela me recomendaria me exercitar mais ao ar livre, andar mais a pé… Mas, olhe só, basta tomar 15 gotinhas da vitamina por dia durante alguns meses e tudo estará resolvido. Sol no conta-gotas: maravilhas do mundo moderno. Será?