Se você teve um dia ruim, Tiago Iorc te abraça. Ele caminha calmamente até o centro do palco, acompanhado apenas por um feixe de luz, e se demora a ajeitar o violão. Rompe o silêncio para cantar que, pra começar, cada coisa em seu lugar. E nada como um dia após o outro.

Iorc é intimista na essência. Canta sobre o que sente, sobre o que vê, sobre o que absorve. “De repente o jeito como você fala e gesticula já está fazendo parte de mim”, explica em entrevista a esta repórter. Fica evidente que sua arte é também sua verdade. Aí mora a mágica. A obra é tão honesta que cada um de seus shows parece uma confissão – e o que fez no último domingo (16), no Teatro Positivo, não é exceção.

Voltando pela terceira vez em 2014 à cidade onde morou no início da carreira, fez a apresentação emocionante de sempre. A certa altura tocou “Morena”, do Marcelo Camelo, seguida de “Tempo Perdido”, do Legião Urbana. Ganhou a plateia pelo saudosismo e pela delicadeza de suas versões. Mais tarde apagaram-se as luzes e apareceu no meio do teatro, por onde andou confortavelmente sussurrando “It’s a Fluke” junto com os fãs.

Para encerrar o espetáculo, voltou para o bis cantando “My Girl” e “Sorte”, imortalizada nas vozes de Caetano Veloso e Gal Costa. Agradeceu com devoção a quem, de acordo com ele, poderia estar fazendo qualquer outra coisa, mas escolheu estar ali. E, cá entre nós, que bela escolha de seu público.

Da noite, ficaram três certezas: Iorc amadureceu. É um artista completo: afinado, ciente de seu lugar no cenário musical brasileiro, hábil com seu instrumento e em perfeita sintonia com seus espectadores. Uma turnê com apenas voz e violão lhe cai como uma luva.