Ele tentou mais uma vez. Apesar de ter um elenco estrelado, boas ideias e toques sutis de metalinguagem, “Tempo“, novo filme de M. Night Shyamalan, que prometia ser intrigante e engenhoso, acaba por subestimar a audiência e se perde na vastidão de conceitos mal resolvidos.

O filme começa inofensivo, o casal Prisca e Guy, interpretados por Vicky Krieps e Gael Garcia Bernal, levam seus filhos a um resort para passar um último fim de semana como família antes do premeditado divórcio. Nos primeiros minutos, a premissa do filme já fica redundante com a constante referência ao tempo no roteiro. Num café da manhã, a família é convidada a ir a uma praia reclusa que apenas hóspedes especiais são convidados a ir. E é aí que de fato a trama começa a se desenrolar. 

Ao chegar na praia, tudo vira de cabeça para baixo. De repente tem um rapper famoso (Aaron Pierre), um corpo numa gruta, as crianças começam a sentir as roupas de banho encolherem e a praia que era exclusiva agora tem mais de dez pessoas. As mesmas crianças, em questão de horas, se tornam adultas, mas essa mudança aparentemente não é o mais importante para os personagens. Depois do primeiro corpo, outros começam a cair de todos os lados, e a premissa do filme que seria descobrir o porquê de as crianças terem envelhecido se torna um mistério a respeito de quem foi o assassino do primeiro cadáver. 

Além de não saber muito bem qual mistério o roteiro quer priorizar, Shyamalan no longa, bebe da água de Christopher Nolan, e decide que a cada nova premissa que apresenta existe a necessidade de repassar todas as descobertas feitas pelos personagens, subestimando a capacidade da audiência de lembrar do último plot que aconteceu a duas cenas atrás. 

O tempo não é o eixo do filme porque, ironicamente, o desenvolver do mistério aconteceu rápido demais, e visto a falha do roteiro, o filme fica se reinventando a cada dez minutos com uma nova premissa seja descobrir quem foi o assassino, como sair da ilha ou porque eles estão ali. 

Algumas outras falhas no filme são a demonstração da progressão do tempo, que às vezes é tão clara quanto o crescimento súbito das crianças e outras vezes sutil demais quanto um punhado de cabelos branco e algumas rugas no rosto de um dos adultos; e a sugestão de um relacionamento entre um homem adulto e uma mulher que a minutos atrás era uma criança de 11 anos.

Apesar das falhas de roteiro, os atores fazem o trabalho bem feito. Felizmente eles são carismáticos o suficiente a ponto de cativar a audiência que fica curiosa com o seu desfecho. 

Infelizmente não foi dessa vez que o diretor conseguiu executar bem as suas ideias que pareciam promissoras, e por isso se tornaram mais um punhado de fios soltos com um desfecho não satisfatório.